2019 – O ano do START ou do STOP?


por Emir Pinho em Artigos / Principal / 14 de Janeiro de 2019

Com o início do novo ano, as tendências, incertezas, as expectativas e as possibilidades sobre um futuro quase certamente provável devem ocupar as mesas, as rodadas de reuniões, as agendas e planejamentos estratégicos de empresas, diretores, gestores e gerentes de corporações (de todos os tamanhos) que atuam no setor de segurança privada. São tendências que, se confirmadas, poderão determinar as empresas que permanecerão ou serão excluídas do radar do mercado.

Não é ousado demais afirmar que 2019 tende a ser um ano de grandes mudanças para o setor. As empresas que dispararem o “START” e que se alinharem aos novos modelos de negócios gerados e fomentados pela Revolução Digital e pela Revolução Industrial 4.0 deverão se fortalecer e atingir resultados bastante significativos, não apenas financeiramente, mas também conceitualmente, se firmando como promissores cases de sucesso e de relevância no mercado.

O mercado de uma forma geral já está saturado e cansado dos modelos antigos de atuação e prestação de serviços de segurança e tecnologia de segurança. Não há mais o que crescer num terreno improdutivo e sem perspectivas de benefícios agregados para os assinantes e consumidores.

Da mesma forma que não é financeira saudável para empresários e investidores, apostar nos modelos que vem sendo praticados há duas, três ou quatro décadas. Modelos arcaicos baseados em elefantes brancos estruturais, alto custo operacional e que devolve pouco ou quase nada para consumidores e tomadores de serviços. Modelos ultrapassados em espécie e em relevância, e que a cada dia têm sido substituídos por tecnologias, por inteligência artificial ou por outros modos de fazer a mesma coisa, com custos menores.

Desde o início da crise econômica, financeira, institucional e política, que explodiu de vez a partir de 2014, é a primeira vez que presenciamos um sentimento diferente no ambiente empresarial. Um claro sentimento de muita mudança, com boas expectativas e até um certo entusiasmo rodeando os mais diversos setores econômicos e produtivos, inclusive os de segurança e serviços, em todo o país.

Mas isso tudo também vem acompanhado de muita insegurança. Afinal iniciou-se há pouco, o novo governo do Presidente Jair Bolsonaro, que apesar de representar uma gigantesca mudança e guinada política contextual, começa muito bem alinhado com as ações iniciadas pelo governo Temer, principalmente nos assuntos econômicos e nas mudanças e reformas que indiscutivelmente precisam acontecer. E todos nós, que produzimos algo produtivo para o país, desejamos que o novo governo seja bem-sucedido!

Essa nova administração, amparada por alguns nomes ilustres e respeitados, têm conseguido imprimir uma imagem de austeridade e segurança jurídica, principalmente para investidores e empresários. Algo que já era, de longe, fomentador de crises e inseguranças nos quatro últimos governos.

E diante desse quadro, temos acompanhado o desenfreado crescimento dos sentimentos, pensamentos, e ações de disruptura no mercado.

Há uma grandiosa sede do mercado por coisas novas. Por produtos novos, por serviços novos…por experiências novas.

Mas não apenas por serem novas. Mas sim por serem causadoras de novas sensações, de novos prazeres, novas experiências coletivas e pessoais e, acima de tudo, por satisfazerem novos desejos.

Todas as revoluções evolucionistas ocorreram justamente em momentos que a vida se tornou “igual demais”, “previsível demais” e até “chata demais”. Pode parecer brincadeira, mas é fato. Nossa evolução humana e a evolução de nosso planeta, trazem consigo centenas de revoluções em toda nossa história:

O fogo, a roda, a tração animal, o motor mecânico, a eletricidade, a indústria de produção em massa, a automação, o computador e agora a inteligência conectada, aumentada e colaborativa.

Esses são apenas alguns dos exemplos de mudanças e revoluções que se tornaram essenciais para a evolução da vida em nosso planeta azul.

E em decorrência de tudo isso, é comum que decisões e escolhas tenham de ser tomadas.

Imagine o desespero dos “ferreiros” (“instaladores” de ferraduras) no final do século XIX quando os veículos de tração animal começaram a dar espaço aos veículos automotores.

Como iriam manter seus negócios? Sem cavalos não haveria mais a necessidade da colocação de ferraduras.

O fato é que em cada uma das pequenas ou grandes revoluções e evoluções mundiais, o homem tem descartado aquilo que se torna obsoleto e que não pode ser executado por uma ferramenta (ou máquina).

A migração para as novas tecnologias e para os novos conceitos tem mostrado que além de mais barato, os novos produtos, serviços, soluções e conceitos, agregam valor, satisfação, tempo, qualidade e vantagens em volumes exponenciais.

De uma forma generalizada, hoje não conseguimos imaginar nossa vida cotidiana, sem a utilização do smartphone, da internet e também do Google.

Isso não é ruim! É uma realidade. E terá melhores resultados aqueles que além de entenderem a evolução, souberem alinhar seus negócios para se encaixarem na realidade e nos formatos que o mercado se apresenta e requer.

Para se ter ideia das diferenças de importâncias e valores (valor não tem nada a ver com preço ou dinheiro), até pouco tempo atrás, era impossível imaginar que as entradas e acessos aos edifícios fossem controlados, permitidos ou negados à distância. Hoje, todos aqueles procedimentos de abertura e fechamento de portas, portões, identificação e controle podem perfeitamente serem realizados à distância. E as Portaria Remotas e Virtuais avançam um pouco mais, dia após dia.

Logo, logo essas mesmas decisões poderão ser tomadas por meio de algoritmos especialmente desenvolvidos para esses fins. Situações corriqueiras serão tratadas por robôs e suas respectivas inteligências artificiais, diminuindo os riscos e as vulnerabilidades até níveis baixíssimos. Aumentando sistematicamente a segurança de condomínios e das pessoas. Com custos e preços que se encaixarão na maioria dos bolsos e orçamentos!

Manter as empresas na mesmice, no marasmo de continuar fazer aquilo que todas as demais empresas concorrentes fazem e na mesma zona de (des)conforto do mercado, é sacramentar o início do fim. É algo semelhante a apertar o botão de “STOP”, porque haverá poucas alternativas de sustentabilidade do negócio. É decretar o suicídio da empresa.

O desenvolvimento e o uso de aplicativos e tecnologias disruptivas – mostra-se como uma das mais eminentes tendências de empreendedorismo, inclusive no setor de segurança e serviços.

Tratamos da quebra dos padrões atuais. Disrupção poderia ser traduzido como o ato de romper uma cadeia. E quando falamos sobre as tecnologias disruptivas, tratamos da quebra desses padrões ultrapassados.

No ambiente de constante melhoramento tecnológico como o atual, esse parece ser o melhor caminho a ser trilhado.

Nesse caso, a curva de evolução não é gradual, mas exponencial e o ineditismo faz a diferença.

Um futuro promissor certamente aguarda a quem ousar estabelecer novos modelos de tecnologia e negócios.

Essas mudanças já iniciaram no Brasil, de forma um tanto cautelosa e receosa.

Aliás, cautela e receio são duas das características generalizadas das empresas e dos empresários no Brasil, e que talvez sejam as causadoras por tanto atraso na hora de realizar mudanças e de investirem no novo e inovador.

Apesar disso, tenho conhecido diariamente, empresas e startups que resolveram sair das amarras do “tradicional” e tem experimentado o delicioso sabor por conquistar resultados muito positivos atendendo uma significativa parcela dos consumidores novos e vorazes por inovações.

Outra grande e forte tendência de negócios está no Mercado de Segurança Digital. Trata-se de mais uma vertente que deve se expandir muito em 2019.

Com a entrada do novo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) na União Europeia, surge um novo panorama para o setor. Ele entrou em vigor em 2018, e já existe uma enorme preocupação de diversas empresas para adaptação ao novo sistema. Mesmo aquelas que não se localizam no território europeu podem ser prejudicadas caso recolham dados dos usuários.

Com as novas regras, é necessário prestar contas às instituições responsáveis. Isso não apenas cria novos cargos, funções e equipes, mas impulsiona todas as atividades relacionadas. E o setor de segurança privada está diretamente ligado a esse tema.

Uma recente pesquisa desenvolvida pela Thomson Reuters em parceria com a Live University consultou três centenas de executivos sobre as expectativas do mercado em relação a adoção de soluções tecnológicas em suas áreas de atuação.

Nos questionários foram incluídas questões acerca das tecnologias inovadoras que se apresentavam mais atraentes às empresas.

Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) foi citada por 31,3%, a Blockchain por 30,9%, Data Science por 29,8% e Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina foram lembradas por 29,2% dos executivos abordados na pesquisa.

Um destaque curioso: as criptomoedas foram pouco lembradas pelos entrevistados: somente 1,9% deles citaram as Criptomoedas Digitais.

OS MOTIVOS

Quando o levantamento questionou quais são as razões que levam os executivos a adotarem essas inovações tecnológicas, as mais citadas foram:

  • Aumento da eficiência do trabalho: 27%;
  • Melhorias da governança e compliance: 20%;
  • Padronização de processos: 19%;
  • Redução do risco de fraudes: 18%; e
  • Aumento da competitividade: 15%.

Em vista disso, resolvi compartilhar algumas tendências que certamente serão bem mais discutidas, faladas, estudadas, melhoradas e colocadas em prática, tanto em 2019 como nos anos que se seguirão. E como tendências, poderão influenciar os insights de empresas que ousarem fazer a diferença que o mercado tanto almeja.

Eis algumas dessas tendências:

– Criação e uso cada vez maior de SaaS:

Essa é uma tendência que nasceu há poucos anos, mas que deve se reforçar ainda mais em 2019. Principalmente porque oferece um vasto campo de exploração no setor de segurança privada. Software como Serviço (Software as a Service) resumidamente, é a comercialização de softwares integrados aos serviços oferecidos por uma empresa.

– Inteligência Artificial no atendimento:

Empresas dos mais diversos setores já se deram conta de que as questões mais cotidianas de atendimento podem ser muito bem atendidas e desempenhadas pelos robôs; para se ter uma ideia do tamanho que isso pode representar, recentemente a Oi divulgou que seu Chatbot chegou a 8 milhões de mensagens e 600 mil atendimentos;

– Ampliação do uso e aplicação de soluções com IoT e IoE:

Com o exponencial aumento do acesso e uso de smartphones, será cada vez maior a utilização de soluções integradas de IoT (Internet of Things – Internet das Coisas) ou IoE (Internet of Everything – Internet de Todas as Coisas);

– Aplicações, Ferramentas e Tecnologias em Nuvem:

É inegável que todas as soluções que, antigamente (adoro escrever esse “antigamente”), rodavam apenas locais, ou seja, em servidores físicos estacionados, para se manterem acessíveis e disponíveis para a maior gama de usuários e contratantes, deverão estar cada vez mais in cloud, sustentadas pela automação e ferramentas em permanente desenvolvimento. A Nuvem hoje representa autonomia, diminuição de custos desnecessários, maior acessibilidade, melhor tecnologia e um caminho sem volta. Ao meu ver nem é mais apenas uma tendência, mas uma constatação inteligente! As infraestruturas internas de empresas devem e serão quase que totalmente extintas! Informações apresentadas no evento IGNITE promovido pela Microsoft, mostraram que até 2019, mais de 30% dos investimentos em software pelos 100 maiores fornecedores terá sido migrado para a nuvem. Já o estudo “Como vamos na América Latina”, realizado pela empresa norte-americana de tecnologia Citrix, mostrou que o Brasil é o país da região pesquisada que mais utiliza plataformas e infraestruturas em nuvem, com 57% de empresas adeptas desta tecnologia.

– Realidade Virtual – o futuro projetado:

Uma das tecnologias que mais deve sofrer investimentos e está diretamente ligada ao aumento do uso de soluções in cloud, é a V.R. ou Realidade Virtual. O investimento em soluções que explore essa tecnologia poderá representar a criação de grandes cases e de negócios cada vez mais alinhados à melhor experiência de clientes assinantes e usuários. Uma realidade altamente tecnológica e provavelmente muito rentável;

–  Reconhecimento Facial deve crescer (e muito):

Assim como acontece com outras tecnologias de detecção e controle, o Reconhecimento Facial, fortalecido pela Inteligência Artificial deverá ser mais explorado, para que seu uso possa aliar vantagens como rapidez, fidelidade das informações, integração com múltiplas plataformas e múltiplos usos. Há muito mais motivos para crescer do que para ser deixado de lado;

– Aumento do Compliance, ética e privacidade digital

A privacidade digital e a ética são critérios cada vez mais contabilizados por pessoas, corporações e pelas administrações públicas. Todos estamos cada vez mais preocupados sobre como nossas informações pessoais estão sendo protegidas e utilizadas por organizações dos setores privados e públicos. E a reação atingirá negativamente as organizações que não estejam abordando proativamente essas mesmas preocupações. Estima-se que até 2021, as organizações que não protegerem ou negligenciarem a proteção de privacidade pagarão 100% mais em custos de conformidade do que os concorrentes que investiram nas melhores práticas. #FicaaDica

– Aumento do uso de Dispositivos e Objetos autônomos

Ampliação acelerada de coisas como robôs, drones e veículos autônomos, utilizando Inteligência Artificial para automatizar funções antes exercidas por humanos. Alguns cases já podem ser vistos na prevenção de crimes, através de robôs de patrulhamento autônomo. A Microsoft, a Uber e outras grandes empresas de tecnologia já estão usando robôs Knightscope na busca pela prevenção, análise e engajamento, com o uso desses robôs.

– Analítica Aumentada (Augmented Analytics)

Augmented Analytics está focado em uma área específica da Inteligência Aumentada. Ela usa o Machine Learning para transformar o modo como o conteúdo analítico é desenvolvido, consumido e compartilhado. Os recursos da Analítica Aumentada avançarão rapidamente ao longo do Hype Cycle como um recurso importante para a preparação de dados, gerenciamento de dados, gerenciamento de processos de negócios, mineração de processos e plataformas de Ciência de Dados.

– Realidades Interligadas

Desenvolvimento e implantação de plataformas que permitem interações conversacionais entre a Realidade Virtual, a Realidade Aumentada e a Realidade Mista; junte tudo isso e festeje os resultados!

– Mercado da Experiência Única ao Usuário – Economia de Experiência

Quando uma pessoa compra o produto ou assina um serviço, sempre há um valor intangível agregado. Mas a associação a bons momentos, desenvolvida ao longo dos anos, também fará cada vez mais parte da compra do cliente. Mais que uma tendência, será uma valorosa estratégia para incrementar e aquecer os negócios;

– Customer Success (Sucesso do Cliente) aplicado ao negócio

Empresários e gestores inteligentes já se deram conta de que é muito mais rentável investir na manutenção dos clientes e assinantes conquistados, diminuindo o churn (perda de clientes ou os famosos cancelamentos) e aumentando o tempo de vida de contratos e relações de valor e experiências; O Sucesso do Cliente é isso!

– Aumento do “Trabalhar” e de “ Fazer Gestão de Equipes Remotamente” – Home Office

Hoje muito se fala sobre os novos modelos de gestão de equipes em trabalho remoto. O chamado home office é uma forte tendência porque apresenta diversos benefícios, tanto para as empresas quanto para os colaboradores.

E você ainda vai saber, ouvir, ver e falar sobre outras tendências. Mas essas eu deixo apenas a referência para discutirmos em outros momentos. E somente com as empresas e empresários que apertarem o START!

  • Ampliação do uso de ferramentas de Business Intelligence
  • Computação quântica
  • Arquitetura corporativa (EA)
  • Desenvolvimento orientado por Inteligência Artificial
  • Gêmeos Digitais (DTO): Um gêmeo digital é uma representação digital de uma entidade ou sistema do mundo real.
  • Experiência Imersiva
  • Blockchain
  • Espaços inteligentes
  • Marketing Interativo no setor de Segurança
  • Serviços de Automação – Processos, Procedimentos, Comercialização e Verticalização

 

EMIR Pinho, CEO da EMP Consultoria, CISI, Consultor, Palestrante,
Pós-Graduado e Especializado em Gestão de Segurança Privada, Diretor Sul da ABSEG,
MBA em Gestão de Equipes e Liderança, Membro do Conselho Editorial do Jornal da Segurança.
[email protected] – WhatsApp 51 999 67 3306

Mini-CV de formação:
Formação Superior em Publicidade & Marketing;
Formação Superior em Gestão de Segurança Pública e Privada;
Graduação, Pós-Graduação e Especialização em Gestão de Segurança Privada;
MBA em Gestão de Equipes e Liderança;
CISI – Consultor Internacional em Segurança Integral, Gestão de Riscos e Prevenção de Perdas (CEAS);
Criador e organizador do site www.consultordeseguranca.com.br
Criador do Conceito 720 Graus em Segurança

Parceiro da Escola Superior de Segurança e articulista do Jornal da Segurança


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