por Emir Pinho em Principal / 17 de Maio de 2013

(artigo publicado originalmente para o Blog CINEBusiness – http://cinebusiness.blog.br/empreendedorismo/empreendedorismo-masturbacao-e-prazer/ )

Empreendedorismo, masturbação e prazer 

Acredite, por trás das mais tórridas invenções existe uma história de empreendedorismo esperando para ser contada.

Nota do autor: Apesar do título escolhido, prefiro alertar que este breve artigo não tem absolutamente NADA a ver com os tais “50 Tons de Cinza” que circulam por aí!


Nos idos do século XIX, a sociedade ainda era muito arcaica e conservadora. Muito mesmo!! Talvez bem mais que possamos engendrar. Aquela historinha de colombina e pierrô apaixonado não retratavam a “verdade nua e crua” como diria Nelson Rodrigues décadas após.

Mulheres eram privadas de muitos direitos e resignavam-se a ignorar a sexualidade e a sensualidade de sua essência natural, numa total falta de respeito por sua importância.

Independente de serem jovens, maduras ou de meia idade, as mulheres eram hipocritamente forçadas a desconhecer os prazeres sensíveis aos seus tenros ou esbeltos corpos.

Sexo e prazer nas relações eram considerados atitudes mundanas e não cabiam às mulheres verdadeiramente de família.

Eram mulheres tratadas como meros objetos de uso de seus esposos, sem o mínimo respeito por seus desejos, por suas sensações, pelas vibrações íntimas e pelas mais diversas reações que o prazer e o orgasmo poderiam causar em suas estruturas físicas e emocionais.

Com tanta frustração, imagine você, o quanto deveriam ser amargas e tristes, enclausuradas em casulos de insatisfação e de abandono sexual.

Mas mesmo naquele tempo e com todas as castrações possíveis, algumas características da natureza feminina já se mostravam salientes e destacavam-se na realidade do mundo genuinamente da fêmea.

É nesse cenário que o filme Histeria – A História da Invenção do Vibrador se ocupa, apresentando um pouco da situação ocasionalmente empreendedora daquele momento.

O jovem médico Mortimer Granville (interpretado por Hugh Dancy) desempregado, cheio de boas intenções e diante de uma incessante zona de conforto da comunidade médica, resistente às ideias avançadas para a época, encontra trabalho auxiliando o renomado Dr. Robert Dalrymple (Jonathan Pryce) em sua clínica para tratamento de damas e senhoras.

Mortimer deixa muito claro suas ideias revolucionárias e empreendedoras, apontando uma forte vontade de empreender, de fazer o diferente e fazer a diferença.

Demonstra um incontido desejo de pular fora da zona de conforto e reinventar não apenas a opinião médica, mas também o posicionamento diante da forma em atender os pacientes e clientes, apontando toques de humanidade, de atenção e de respeito aos doentes.

Era uma época de muitas invenções e de inovações tecnológicas. A luz elétrica, por exemplo, ainda era utilizada com muita desconfiança.

Já no princípio do filme conseguimos ver a empolgação gerada em torno de outra grande invenção do momento: um aparelho estranho inventado por Graham Bell, que permitia que duas pessoas falassem à distância… o famigerado e impregnante telefone, hoje tão amado por uns e odiado por outros, mas muito utilizado para tudo, principalmente para alavancar negócios e colocar pessoas em contato quase que ininterrupto.

O Dr. Dalrymple desenvolvia e aplicava em sua clínica, uma excelente técnica de estimulação da vulva com massagens vaginais (masturbação) para tratar senhoras consideradas “histéricas”.

Isso mesmo! Pasmem vocês…

As pessoas, a sociedade, a justiça e a medicina da época, encaravam a tão famosa e popular TPM e o tesão como histeria feminina (daí o nome de origem do filme).

Óbvio que, pelo desconhecimento, uma vez que mensalmente em períodos curtos ou mais longos, as mulheres apresentavam inúmeras alterações em sua vida cotidiana. Algumas apresentavam irritação alterada. Outras mulheres apresentavam um amargor acentuado e quase que total falta de sensibilidade.

Havia ainda aquelas ficavam literalmente à beira de subir pelas paredes, corroborando para o apontamento do diagnóstico de “histeria”.

Erroneamente, imaginava-se que a razão do destempero feminino estava no útero, o que justificava a masturbação feminina. Tudo em busca do paroxismo (satisfação orgasmática) e da diminuição dos momentos histéricos.

Até aqui o empreendedorismo está apenas ajustado às necessidades das clientes, sem maior envolvimento com a busca seja pela satisfação integral, seja pela excelência ou pela superação das expectativas, contribuindo para que Maslow desenvolvesse sua pirâmide das necessidades de consumo.

Dessa forma, o doutor Granville começa então a se especializar no “trato” de clientes, gerando resultados nos objetivos da clínica. Massagens, masturbação, estímulos e alguns gemidos se tornam constantes em sua atividade profissional.

Ocorre que o jovem mancebo devido ao aumento do número de pacientes, adquire um problema de perda da sensibilidade e tendinite justamente na mão masturbadora.

Isso dificulta sua movimentação na invasão dos países baixos femininos. Preocupado com seu problema físico, que diminui a qualidade de seu serviço e o fez perder clientes (masturbação pela metade é quase coito-interruptus), o rapaz busca uma solução para não perder seu emprego.

À partir desse momento encontro outra semelhança do filme com o empreendedorismos e com a busca da satisfação de clientes, afinal quando se busca um serviço, está se desejando os benefícios resultantes.

Geralmente queremos a felicidade e a alegria. Buscamos aquilo que o serviço/produto pode trazer de melhor para quem compra, paga e consome!

Ninguém contrata um serviço para não ser feliz ou para ficar insatisfeito. Pelo contrário!

E neste filme fica clara a prestação do serviço ativamente sexual, inicialmente com total motivação médica, mas buscando o incessante prazer e a inconfundível felicidade gerada pelo clímax.

Essa constatação até me fez lembrar do dia em que conheci o hoje colega “Camelô” David Portes, que iniciou sua trajetória de sucesso colocando o sorriso na frente de seus produtos. Pura alegria!

E pensar que tem muita gente que ainda reclama de seus empregos!

Histeria: A História da Invenção do Vibrador

Mais uma vez a tecnologia e a criatividade surgem para ajudar os profissionais e salvar a situação. A resposta para sua momentânea deficiência é a utilização de um massageador elétrico, criado junto de seu amigo Edmund St John-Smythe (Rupert Everett).

Nessa hora os 2 criam uma “avançada máquina” para a masturbação e para o prazer individual que deu origem ao até hoje cultuado, animador e empolgante vibrador.

Certamente nenhum deles imaginaria que séculos após, aquele aparelho que mais parecia uma furadeira, diminuiria e aumentaria de medidas conforme os gostos, bitolas e desejos e que passaria a habitar bolsas femininas (e masculinas), gavetas e quartos no mundo inteiro.

Muito menos que ele se tornasse cada vez mais realístico e semelhante ao órgão genital masculino, só que sempre rijo e “bem dotado”.

Apesar disso já avistei alguns em formato de coelhinho (com orelhinhas e tudo mais), de tubarão e até mesmo de foguetinhos(?!)…vai entender os gostos e fetiches, não é mesmo?

Hoje em dia os vibradores são heróis e os responsáveis por salvar algumas relações e até mesmo alguns casamentos estacionados na zona de conforto, marasmo e mesmice!

Consolo para os “problemas”.

Mas como todos os empreendedores, ao desenvolver um novo produto ou serviço, o trio de estimuladores sexuais precisava testar sua novidade, afinal de contas as pessoas não compram e não usam aquilo que não lhes traga benefícios.

E a escolhida para ser a primeira “homologadora” foi a inusitada personagem Molly Pirulito (Ashley Jensen), uma ninfomaníaca ex-prostituta que não perdeu o entusiasmo pelo “rala e rola”.

Os resultados são imediatamente fantásticos.

Molly apresenta reações ultrateragigamaster multiorgasmáticas. A mina pira no vibrador! Sobe pelas paredes e atesta: A tecnologia da masturbação e do prazer individual é vibrante, única e completa… daí o apelido popular.

Ainda não satisfeitos, os inventores/empreendedores resolvem dar uma segunda sem sair de dentro do negócio prazeroso.

A nova cobaia dos inventores é uma senhora cantora, que triste nas suas insatisfações sexuais e carnais, abandona as notas musicais e torna-se uma frígida senhora de corpo volumoso.

A cena é insólita e engraçada ao extremo. Vibrador ligado e entre remelexos, gemidos e gritos de prazer, mais uma vez sua doce voz se solta!

Com a satisfação gerada pelo aparelho e com a dedicação do médico, a cantora passa a cantarolar e encontra as notas mais altas, graves e agudas, diga-se de passagem! Uma loucurama!

E uma nova constatação é notada: o vibrador faz cantar! Cá para nós, nada é mais gostoso e nos deixa mais felizes do que poder agir com dedicação aos clientes e obter o reconhecimento por sermos o melhor dos melhores. Até mesmo na masturbação a regra é a mesma: conquiste a satisfação de seu (ou de sua) cliente!

E não se esconda atrás das consequências, até porque usou, lavou, sacudiu e guardou…está novo! Respeitar as liberdades, os anseios, os desejos e as emoções das pessoas é a essência de todos os empreendedores…aiaiai!

Viva aos vibradores!

Histeria: A História da Invenção do Vibrador

O resto do filme se torna uma festa. As filas de clientes em busca da “cura” só aumentam na clínica. É o alcance do sucesso.

Os anúncios se multiplicam pela cidade, anunciando a inédita máquina que permite canalizar todas as sensações e emoções femininas. Não basta satisfazer, tem que propagandear.

Se fosse hoje estaria no Facebook, no Instagram, no Youtube e certamente no Twitter. É o fim da Histeria e o início de um novo case de sucesso empreendedor.

A prova cilíndrica de que a inovação está sempre acompanhando os desejos e a criatividade daqueles que ousam invadir o campo do difícil e até do impossível.

Historicamente o diagnóstico de histeria foi abolido pela comunidade médica em 1852.

Por muitos anos o equipamento foi vendido em revistas e catálogos sob o nome de Jolly Molly em homenagem à Molly Pirulito.

Hoje o personagem principal é fartamente encontrado em diversas cores, sabores, dimensões e nos formatos mais exóticos em todos bons sites e sex shops do mundo inteiro.

Ótimas reinvenções para todos vocês, sem Histeria.

Emir Pinho


Tags:, , , , , ,


Eu quero mais artigos como este!


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *