124 mil carros desde 2003


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 13 de fevereiro de 2007

ADRIANA IRION

Ladrões se apoderaram de uma frota de 124.018 veículos em quatro anos, número superior, por exemplo, ao de carros registrados em Pelotas (a frota da cidade é de 102.124). Entre 2003 e 2006, só o roubo de carros, crime que envolve violência ou ameaça grave, aumentou 65% no Rio Grande do Sul. No ano passado, o número de carros roubados ou furtados chegou a 33.651 – uma média de 92 veículos levados por dia.
Eleito nos últimos anos como prioridade entre os delitos que deveriam ter índices reduzidos, o roubo de carros desafia as autoridades. Em abril de 2006, o então secretário da Justiça e da Segurança, Omar Amorim, lançou um plano específico para esse tipo de crime.
Além de medidas que a própria secretaria adotaria junto a seguradoras e montadoras, a Polícia Civil e a Brigada Militar apresentaram metas de trabalho para reduzir os números. A ação não atingiu o resultado esperado. Entre janeiro e dezembro de 2006, 14.553 automóveis foram roubados, 2.880 a mais do que em 2005, o que indica aumento de 25% nos casos em apenas um ano.
Governo prepara portarias para controlar desmanches
Em contrapartida, em quatro anos, os furtos caíram 5,5%. Na comparação entre 2005 e 2006, houve um pequeno aumento: de 1,5%. Paradoxalmente, a queda nos casos de furtos traz mais riscos à população. Quando os bandidos optam por deixar de arrombar o carro por causa dos dispositivos de segurança, buscam a melhor oportunidade de se apoderar do veículo: atacam o motorista.
Muitas vezes, a tentativa de roubo pode resultar em lesões ou em um latrocínio (roubo com morte). De 2003 até o primeiro semestre de 2006, pelo menos 35 pessoas foram mortas por ladrões de carros.
Na terça-feira, o secretário da Segurança Pública, Enio Bacci, anunciou mais uma ofensiva contra a indústria do furto e do roubo. Bacci editará duas portarias que visam a dar ao Estado maior controle sobre a atividade dos desmanches e o funcionamento de leilões. Os desmanches deverão ter selos de identificação nas peças usadas que pretenderem comercializar. Os leiloeiros terão de criar um cadastro de compradores de sucata, além de submetê-la à vistoria do Departamento Estadual de Trânsito. As portarias devem ser editadas em 20 dias.
Boa parte dos carros furtados ou roubados (muitos sob encomenda) vai para os desmanches, por meio dos quais o veículo entra aos pedaços no mercado clandestino, alimentando uma rede de crimes. De tão comuns que se tornaram o furto e o roubo, esses locais são encontrados até por acaso. Na tarde de sexta-feira, enquanto fazia uma reportagem, Zero Hora encontrou um minicemitério de veículos em Esteio e acionou a Brigada Militar. O terreno baldio, onde havia carcaças de três carros, era usado por ladrões para desovar peças.

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