A capital do roubo de carros


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 1 de julho de 2007

O Rio de Janeiro ficou para trás. Porto Alegre é a mais nova líder no ranking de roubo de veículos entre as capitais do país. Por mês, para cada 100 mil carros, ladrões roubam na metrópole gaúcha 13 a mais do que os bandidos cariocas, segundo estatísticas deste ano. Até o ano passado – e pelo menos nos últimos três anos -, o Rio era o primeiro da lista.
Porto Alegre também inverteu perigosamente uma outra lógica verificada no país. O roubo de veículos (praticado sob grave ameaça ou com agressão ao motorista) supera o furto (quando o carro é levado na ausência da vítima).
Em maio, foram 740 automóveis roubados, contra 441 furtados na Capital. No Estado, a julgar pelos números quase empatados, é uma questão de meses para os roubos superarem os furtos.
A principal razão disso é o incremento de dispositivos de segurança acoplados aos carros mais modernos, afirmam especialistas. Alarme, chave codificada e rastreador por satélite, entre outros equipamentos, têm impedido a ação do bandido sorrateiro que usa grampo de cabelo ou chave falsa para abrir a porta, fazer uma ligação direta e dar a partida.
O furto está em queda tanto na Capital quanto no interior do Estado. Essa tendência, que poderia ser saudada como positiva, significa criminosos mais violentos, aumentando os riscos de traumas ou de mortes entre as vítimas de assalto (ou roubo).
Em ascensão há pelo menos quatro anos, o roubo de veículos no Estado tem desafiado a capacidade de enfrentamento das autoridades gaúchas. A questão é complexa e envolve desde o ladrão comum até quadrilhas especializadas.
Um automóvel roubado pode ser usado em outro assalto – a banco, por exemplo – e depois ser abandonado. Mas também pode ser clonado, recortado em ferro-velho clandestino ou sumir na fronteira, na troca por drogas ou armas.
Além disso, existe o golpe do seguro, em que ladrões levam o veículo segurado em comum acordo com o dono, que depois recebe um carro novo. Estimativa do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado indica que a fraude atinge um em cada cinco automóveis sinistrados.
– Esse tipo de crime nada tem a ver com desigualdade social. Tem estrutura lucrando muito dinheiro e precisa ser enfrentado com inteligência policial – observa a cientista social Sílvia Ramos, uma das coordenadoras do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes do Rio.
No Rio, em Curitiba e em São Paulo, a repressão tem obtido êxito com legislação e fiscalização rigorosas. No Rio Grande do Sul, há pouco mais de um ano, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reconheceu que não tinha estratégia de ação contra os ladrões de carros. Desde então, o tema virou prioridade. Estudos, projetos de lei, portarias, forças-tarefas e blitze entraram na ordem do dia, mas pouca coisa mudou. A secretaria já trocou de comando duas vezes mas, apesar dos esforços, o problema persiste.
– O remédio está sendo dado. Mas só o empenho das polícias não é suficiente, como mostram os números. Chegou a hora de o Estado intervir, criando uma legislação mais eficiente para os desmanches – afirma o coronel Paulo Roberto Mendes, subcomandante-geral da Brigada Militar.
Ladrões roubam, em média, 21 carros por dia em Porto Alegre
Mendes lembra que este ano a BM fez 2,9 mil vistorias em desmanches no Estado e recuperou 55% dos carros furtados ou roubados em Porto Alegre. A prefeitura da Capital interditou 132 estabelecimentos, mas existiria outra centena deles operando ilegalmente.
O delegado Ranolfo Vieira Junior, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), também defende regras mais rigorosas para o comércio de sucatas. O secretário substituto da SSP, Ademar Stocker, reconhece que a situação é crítica.
– A maior parte dos crimes está diminuindo, mas o roubo de carros sobe, atingindo um patamar intolerável – lamenta Stocker.
O problema poderia ser amenizado se houvesse um cadastro das lojas de sucata no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O Código de Trânsito Brasileiro prevê que esse tipo de comércio tenha livro de registros, com folhas rubricadas e autenticadas pelo Detran, mas isso não ocorre. Segundo o tenente-coronel João Batista Hoffmeister, chefe de gabinete do Detran, falta pessoal para fiscalizar os estabelecimentos.
Conforme Stocker, a SSP estuda, em caráter de urgência, a adoção de novas normas para dificultar o funcionamento dos desmanches. Enquanto isso, a indústria criminosa segue roubando, em média, 21 carros por dia só em Porto Alegre.
Roubos Na Capital
Janeiro a maio
2006 :2.768
2007: 3.252
Aumento de 17,5%

Furtos Na Capital
Janeiro a maio
2006: 2.745
2007: 1.943
Queda de 29,2%

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