A serra gaúcha em clima de guerra


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 7 de novembro de 2008

07 de novembro de 2008 N° 15782 Jornal Zero Hora

PÂNICO EM FARROUPILHA

Um terror vivido por outras cidades

Ao assaltar simultaneamente dois bancos e imobilizar forças policiais de Farroupilha na manhã de ontem, uma quadrilha armada com fuzis e pistolas repetiu na Serra cena vista há cinco meses por moradores de Triunfo, na Região Carbonífera, e outra ainda presente na memória de Bom Jesus, ocorrida no ano passado.

Detalhes do ataque de ontem chamaram a atenção de agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) que estiveram na Serra, levando-os a crer que pode se tratar do mesmo grupo criminoso. A começar pelo manuseio das armas, incluindo fuzis AR-15, AK-47 e FAL:

– Eles receberam treinamento especial para usá-las – afirma um policial do setor de investigações da Delegacia de Roubos.

A exemplo do que ocorreu em Triunfo na tarde de 5 de junho, quando os alvos também eram agências do Banco do Brasil e do Banrisul, os ladrões atiraram contra os vidros e a porta giratória para entrar na agência. Violência que imobilizou reféns e segurança, alguns usados como escudo na fuga.

– Eles não demonstraram pressa, esperaram o cofre abrir. Na fuga, levaram reféns e em um veículo clonado, método semelhante ao ataque em Triunfo – disse outro agente do Deic que foi à Serra.

Remanescentes do grupo que matou vice-prefeito

Oficialmente, o diretor do Deic, delegado Ranolfo Vieira Júnior, se limitou a dizer que os ataques são idênticos, mas não confirmou se foram realizados pelo mesmo grupo.

– O certo é que a quadrilha é formada também por gente da Serra, pois conheciam a região. A maneira de agir é muito semelhante à usada em Bom Jesus (assalto ao Banrisul em julho de 2007, quando o então vice-prefeito da cidade Leonardo Baroni Silveira foi morto). Podem ser remanescentes daquele grupo que voltaram a agir – opina o chefe do Deic.

Nos bastidores, no entanto, é dada como certa a participação de alguns assaltantes nos ataques de ontem e de Triunfo. Alguns deles, apesar de toucas e luvas, teriam sido reconhecidos pelos policiais do Deic nas imagens dos circuitos de segurança dos bancos de Farroupilha. A relação do ataque na Serra ontem com o roubo ao carro-forte da Brinks na terça-feira, na BR-116, em Tapes, também não é descartada.

Questionado sobre o que a polícia vem fazendo para cessar esse tipo de ação, Ranolfo ressalta que líderes de bandos conhecidos estão presos, como José Carlos dos Santos, o Seco, assaltante de carros-fortes capturado em 13 de abril de 2006.

A prisão mais importante deste ano foi a de Gilmar Soares da Silva, o Nino, 42 anos. Chefe da principal quadrilha do Estado, ele é apontado como o autor do tiro de fuzil que matou o vice-prefeito de Bom Jesus, Leonardo Baroni Silveira, 36 anos, durante roubo à agência do Banrisul da cidade em 6 de julho do ano passado. A participação de Nino no ataque em Triunfo também é apurada.

– Esses assaltantes vão se rearticulando. É possível que alguém que tenha sobrado daquele ataque em Bom Jesus – pois a maioria foi presa e três criminosos mortos pela Brigada Militar – tenha recrutado novatos para este ataque – aventa o diretor.

francisco.amorim@zerohora.com.br

FRANCISCO AMORIM

Ataques semelhantes aos de ontem

13/2/2006, Progresso – Quatro encapuzados invadem o Banco do Brasil. Dois se posicionam na entrada e, protegidos pelos corpos de três reféns, atiram contra a polícia. De uma lancheria, um quinto assaltante dispara contra o posto da BM. O bando foge após danificar as duas viaturas da Brigada na cidade.

7/7/2006, Rolante – Seis homens com fuzis invadem o Banrisul. Um deles permanece no veículo, e três quebram a porta a marretadas. Ao invadir, ordenam que 30 pessoas saiam de mãos dadas. Clientes e funcionários servem de escudo a outros dois assaltantes, em frente à agência. Os bandidos efetuam disparos acertando uma viatura da Polícia Civil.

18/11/2006, Litoral Norte – Criminosos atacam o posto policial em Três Forquilhas, tiram os revólveres de dois PMs e assaltam o posto do Banrisul. Seguem para Itati, onde o posto da BM está desativado, e assaltam o Sicredi.

2/12/2006, São Francisco de Paula – Quadrilha invade o Banrisul, ferindo dois policiais civis. Na fuga, o bando usa dois vigias e uma jovem como escudos. O grupo foge em uma caminhonete. Uma viatura inicia perseguição, mas tem os pneus furados por miguelitos.

6/7/2007, Bom Jesus – Com fuzis e espingardas, nove assaltantes roubam dinheiro do banco e formam um cordão de isolamento com reféns do lado de fora para impedir a ação policial. No tiroteio, o vice-prefeito é morto por um criminoso.

2/11/2007, Nova Hartz – Seis criminosos com pistolas e fuzis assaltam o Banrisul. Na fuga, o bando usa reféns como escudos para chegar aos veículos.

5/6/2008, Triunfo – Homens armados com fuzis atacam agências do Banrisul e Banco do Brasil. Ao perceberem a chegada de policiais, abrem fogo contra viaturas. Na fuga, após usar reféns como escudos, seguem em dois carros até as margens do Rio Taquari, onde desaparecem em uma lancha.


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