A tecnologia a serviço da segurança


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 4 de janeiro de 2007

Além de inibir a abordagem dos ladrões, os sistemas de rastreamento e bloqueio valem desconto no seguro, facilitam o trabalho da polícia e aumentam as chances de recuperar o carro roubado. Empresas já oferecem soluções até via celular

Por Claiton Ramos, editor-chefe e Margareth Castro, repórter

Os índices de violência crescem em proporções alarmantes. É fácil encontrar pessoas que tiveram seus carros roubados, foram vítimas de seqüestros-relâmpagos ou outros tipos de atrocidades. Mas ainda bem que na mesma medida em que os crimes ocorrem, a tecnologia evolui e novos equipamentos são desenvolvidos e disponibilizados no mercado com o objetivo de proporcionar segurança às pessoas. Outra vantagem é que os aparelhos, que antes eram direcionados para um público específico, estão se tornando cada vez mais acessíveis no mercado.
Como os bandidos não escolhem mais as suas vítimas e como nem todo mundo tem condições financeiras para blindar seus carros ou contratar seguranças particulares, a solução é partir para os produtos que estão disponíveis no mercado, principalmente os de monitoramento e rastreamento veicular. Neste segmento, a tecnologia de rastreamento e bloqueio de carros via GPS (Global Positioning System, ou Sistema de Posicionamento Global), por sinal de rádio ou de telefone, é um dos sistemas mais modernos disponíveis no mercado.
Ivo Henrique G. Thomaz, especialista em sistemas de rastreamento da Fleet Link, empresa sediada no Rio de Janeiro com filiais pelo País, incluindo Uberlândia, diz que a qualidade do atendimento e a garantia do equipamento aliada a testes mensais são fatores importantes para transmitir confiabilidade na prestação de serviços de monitoramento e rastreamento. “O monitoramento deve ser utilizado em carros com alto índice de roubo, por empresários e também por empresas com qualquer tipo de transporte para uma gestão mais afinada de seus veículos”, reforça.
O custo da tecnologia e da prestação do serviço varia de R$ 900 a R$ 2,5 mil, dependendo da solução adquirida por meio de compra ou comodato/locação. A margem de erro de um sistema GPS, comparado com os demais equipamentos do mercado, é de aproximadamente 20 metros.
Para o consultor em Gestão de Segurança e Logística, Élder Ferreira Nunes, de Uberlândia, diversos sistemas estão disponíveis no mercado. A regra é buscar aquele que melhor se adequa à necessidade de sua empresa. Segundo ele, as limitações são existentes em todos, assim como as vantagens. “Temos sistemas via satélite, rádio freqüência e celulares. O importante é identificar, juntamente com um especialista, o sistema ideal para a necessidade do consumidor, seja para monitoramento e rastreamento de uma frota ou de um carro de passeio. Em rodovias ou zona rural, por exemplo, os sistemas mais indicados são os que operam a partir de satélites, exceto quando a operação é em um eixo fixo, como Rio/São Paulo, ou Uberlândia/São Paulo, a rádio freqüência pode ser uma das melhores alternativas custo x benefício, considerando custo e tempo de resposta”, reforça.
Os sistemas via celulares (tecnologia GPRS) são os mais utilizados em área de maior cobertura, como as cidades. Além de menor custo, o sistema já possui uma infinidade de aplicações, visto a ampliação da transmissão de dados através destas redes móveis. “Mas é importante avaliar, acima de tudo, qual a necessidade de um sistema no veículo, se é para a segurança do mesmo (da carga) ou se é mais uma ferramenta para a gestão logística da carga”, diz Nunes.
Para o consultor, as cargas generalistas, como as de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e outras, as que não são de lotes fechados, portanto, mas difíceis de serem identificadas junto aos receptadores, são as de maior índice de roubo. “Uma carga é roubada pois existem os receptadores. Assim, lotes fechados são mais fáceis de serem identificados e, por isso, se tornaram cargas rejeitadas por ladrões”, diz o consultor. Para ele, os atacadistas são vulneráveis, assim como as cargas de leite em pó e até mesmo de medicamentos. “Tendo o receptador, até um caminhão de ossos pode ser roubado”, destaca. Neste cenário, o recomendável é avaliar, minuciosamente, todos os riscos e vulnerabilidades deste transporte. Há alternativas de gestão deste risco, onde não se utiliza nem ao menos sistemas de segurança, apenas uma eficiente gestão do risco, com seleção de profissionais adequados, horários para o transporte, entre outras práticas”, ressalta o consultor.

Segurança é o ponto alto do sistema desenvolvido pela Blockauto

A Blockauto foi criada há seis anos em Uberlândia. O primeiro produto foi o Blockauto TDMA, que transmitia uma localização após a incidência de algum furto ou roubo e bloqueava o automóvel. A segunda geração de rastreadores já teve uma interatividade com a internet, ou seja, o cliente já podia, através de uma senha e de um usuário, ter acesso imediato a informações do veículo. Esse controle é feito, inclusive, por um celular que tenha a tecnologia Java.
O serviço de rastreabilidade já conta com 800 clientes e o aparelho instalado no veículo emite sinais via satélite por GPRS. O diretor industrial da empresa, Afrânio Cardoso da Costa, destaca que a segurança é o ponto alto do sistema e que o foco principal da empresa é investir em tecnologia. “Para estar na vanguarda e oferecer sempre serviços inovadores é preciso conhecer o que está disponível em termos de tecnologia para não ficar desatualizado no mercado”, disse.
Segundo ele, o boom da empresa ocorreu a partir da utilização do canal de dados da telefonia móvel, das tecnologias GSM e TDMA segunda geração, que permitiu a realização de um trabalho em banda larga. Afrânio da Costa explica que até cinco ou seis anos atrás, a Blockauto usava apenas a telefonia móvel para a comunicação de voz, mas que não havia compactação de informação. Outro fator que contribuiu para a expansão dos negócios da empresa foi o uso de aparelhos telefônicos sensíveis com processadores muito mais poderosos, rápidos e que permitem, por exemplo, abertura de mapas digitais.
Afrânio da Costa defende que a evolução dos serviços de segurança ocorre, principalmente, por este ser um campo vasto. Segundo ele, o sistema começou a ser empregado somente na segurança e, atualmente, é utilizado na logística, rastreando até aviões. “A função do equipamento vai da necessidade humana de se comunicar, de controlar e de crescimento”, reiterou.
O sistema oferecido pela empresa tem diversas possibilidades de aplicação. Ele pode ser utilizado para o controle de uma frota, do carro de um filho, uma aeronave ou até controle de uma carga fracionada, para que a entrega seja dinamizada e não haja perda de tempo. “Fizemos um estudo com uma entregadora de cargas em Uberlândia e o que se percebeu é que ela levaria um dia inteiro para distribuir a carga de um caminhão, com o sistema de organização, esse tempo cairia para metade, ou seja, trabalha-se com metade do tempo se houver organização”, ressaltou Afrânio da Costa.
Segundo o diretor comercial da Blockauto, Luiz Eduardo Gonçalves, a relação custo/benefício do serviço é uma das melhores. Afrânio da Costa complementa ao dizer que a grande vantagem do sistema oferecido pela empresa é oferecer informações que permitem o bom gerenciamento de um negócio, seja de qualquer ramo, ou até de detalhes da vida do cliente. “O diferencial é que o serviço não é simplesmente uma transmissão de dados, mas informações detalhadas e trabalhadas que auxiliam na tomada de decisões”, esclareceu.
Os diretores são coesos ao afirmarem que o importante ao desenvolver uma tecnologia é dar subsídios para que o cliente possa trabalhar com o sistema de forma fácil e hágil. Eles esclarecem que a proposta da Blockauto é oferecer mais tranqüilidade ao cliente, que além de utilizar o equipamento para rastreamento e monitoramento, adquire, também, mais qualidade de vida, pois passa ter a garantia de que conta com um fator a mais para a segurança do seu carro, caminhão ou carga.

Funcionamento do sistema

O sistema GPS depende das operadoras de telefonia móvel. A Blockauto tem duas soluções tecnológicas que permitem solucionar problemas. Na área de logística, existe um equipamento chamado de memória marcada, que armazena dados caso haja perdas dos sinais do GPRS. O diretor industrial da empresa, Afrânio da Costa, explica que são sete dias de memórias marcadas e assim que recupera os sinais do GPRS o equipamento descarrega toda a memória.
A segunda solução é chamada híbrido, porque faz um link direto com o satélite de alta órbita, quando há perdas do sinal do GPRS. “Ele começa a fazer a transmissão de informações até que o sinal do GPRS seja recuperado. É um equipamento que tem um custo mais elevado porque exige mais tecnologia”, esclarece Afrânio da Costa.
Segundo reportagem publicada pela revista Quatro Rodas, no Brasil, roubos e furtos de carros são tão freqüentes quanto os semáforos nos cruzamentos. Só em 2001, 380 mil veículos foram levados por ladrões. Esse número equivale a 21% da toda a frota de automóveis produzida naquele mesmo ano. Segundo estatística do Registro Nacional de Veículos Automotores, um carro é roubado a cada um minuto e meio, somados os seqüestros e seqüestros-relâmpago. O que antes era risco apenas para milionários, atualmente já atinge a classe média, é que os altos resgates já desceram à cifras de R$ 1 mil ou no máximo R$ 2 mil. Só na grande São Paulo, entre 1999 a 2001, os casos registrados de seqüestros saltaram de 13 para 251. Trata-se da negociação da vida do cidadão comum. Assim, para ser vitima em potencial, basta ter um carro, que não precisa nem ser zero quilômetro ou dos mais caros.
E como, ao contrário dos ricos, a classe média não tem como blindar seus automóveis nem como contratar seguranças particulares durante 24 horas, o mercado de segurança se ampliou – e a custos mais baixos. Assim, o que existe de mais moderno em tecnologia de segurança automotiva é o rastreamento e bloqueio de veículos via GPS (Global Positioning System, ou Sistema de Posicionamento Global), por sinal de rádio ou de telefone.
O mecanismo mais simples é o pager, aqueles antigos bips que foram aposentados com o advento do telefone celular. Adaptados ao carro, eles funcionam como um bloqueador de combustível ou neutralizador do sistema elétrico. Ao perceber que foi roubado, o usuário liga para uma central e, no prazo máximo de um minuto e meio, o carro é bloqueado pelo comando de um sinal de rádio. Recuperar e localizar o carro, no entanto, fica por conta do proprietário e da polícia. Para auxiliar nessa tarefa, junto com o equipamento também se instala uma sirene ou mensagem denunciando o crime.
Há também equipamentos que apenas localizam o carro. Nesse caso, o sistema opera por radiofreqüência e rastreia o automóvel por meio de uma triangulação de antenas. Ou seja, o sinal do equipamento instalado no carro é capturado por, no mínimo, três antenas, móveis ou fixas, que fornecem a área onde se encontra o veículo. Mas ter o carro de volta também é problema exclusivo da vítima, embora as empresas colaborem com a polícia, informando a região onde o automóvel está rodando ou o lugar em que ele foi deixado. Aliando os dois conceitos, é possível ter no carro um dispositivo que faça ambas as funções: rastrear e bloquear o veículo.
Para localizar, existem três diferentes sistemas: via GPS, por triangulação de antenas de rádio ou por zoneamento indicado pelas antenas de telefone celular. O GPS é, sem dúvida, o mais eficiente para fornecer a localização exata do automóvel. Pelas informações enviadas por pelo menos quatro satélites, de um total de 24, consegue-se as coordenadas de longitude e latitude. Mas, sozinho, o GPS tem esta única função: localizar.
Para transmitir ou receber informações (por exemplo, um comando para bloquear o carro), o aparelho precisa estar acoplado a um sistema de comunicação, via rádio ou telefone. E este tem sido um problema no Brasil, porque, em função da via de transmissão, a área de abrangência do sistema se restringe, mesmo que as empresas garantam cobertura 100%.
A maior parte das companhias que operam por estes sistemas, bem como as que monitoram por GPS, disponibiliza serviços extras. Em caso de seqüestro, por exemplo, a vítima pode estar protegida pelos chamados botões de pânico. São pequenas teclas escondidas no interior do automóvel, que, quando pressionadas, fazem com que um grupo de monitoramento entre em ação, seguindo o sinal do carro na tela de um computador sobre um mapa digitalizado da cidade. Assim, pode-se acionar a polícia, ou mesmo uma equipe de segurança equipada com motos, helicópteros e carros, opções que muitas empresas proporcionam.
Há também dispositivos de segurança ainda mais sofisticados, que permitem inclusive monitorar a conversa no interior do carro ou até mesmo fotografar os ocupantes por meio de microcâmeras. Na Europa, empresas como a Fiat e a General Motors estão se associando a empresas de rastreamento para oferecer essa opção aos novos clientes.
Segundo as companhias de rastreamento e bloqueio, a média do índice de recuperação dos carros roubados ou furtados que possuem esse tipo de dispositivo chega a 97%. Por isso – e de olho nessa eficiência –, as seguradoras não hesitam em fazer acordos comerciais com essas empresas. O proprietário de automóvel que é também usuário de um sistema desse tipo pode economizar até 30% no preço do seguro.

Mercado de segurança eletrônica cresce para atender necessidade do cliente

Há 20 anos, a segurança de uma empresa era feita por um vigia. Naquela época ainda não era comum a vigilância em residências. Com o passar dos anos e com o aumento da criminalidade, este tipo de serviço passou a ser insuficiente e deu lugar ao mercado de segurança eletrônica. E este cresceu a partir do momento que se tornou a melhor relação custo/benefício para o cliente final.
O uso da segurança eletrônica nos dias atuais se tornou extremamente importante. Primeiro, porque reduz custos, permitindo que uma única pessoa controle a segurança através de um circuito fechado de TV, de câmeras de vídeo, de outros equipamentos e sensores. Segundo, porque é mais confiável ao prover informações precisas e rápidas para que decisões possam ser tomadas.
Com a evolução da tecnologia, os equipamentos de segurança eletrônica também foram sendo aperfeiçoados e passaram a contar com aliados importantes como a internet. De acordo Claudinei Freire, diretor da Guardian Security, a partir da utilização da web criou-se a ponte tecnológica para que se tivesse dispositivos de segurança em qualquer tipo de imóvel e para que o monitoramento passasse a ser feito em qualquer lugar do mundo.
É possível encontrar dispositivos no mercado, como os de controle de acesso, que permitem saber quem foi a última pessoa que passou por um determinado lugar ou se a porta está aberta ou fechada. Também existem sistemas que possibilitam a captura de imagens, o que permite o monitoramento à distância.
Mas, assim como todo mercado, o de segurança também enfrenta problemas com a concorrência desleal. Freire diz que para coibir a ação de empresas ilegais foi criado, através da Associação Brasileira de Segurança (Abese), da qual é vice-presidente, um projeto de lei para regulamentar o mercado e criar parâmetros que protejam o consumidor final.
Segundo ele, quando não há normas, muitos passam a operar no mercado com qualquer tipo de material ou equipamento, que muitas vezes não passaram por um processo de verificação dos órgãos governamentais como a ABNT. “Há por aí equipamentos contrabandeados que são jogados no mercado e o cliente que não está preparado para discernir entre um produto e outro, acaba sendo lesado por isso”, denunciou. O projeto de lei de regulamentação do mercado de segurança foi aprovado em assembléia oficial no mês de outubro e já foi encaminhado para o Congresso Nacional para apreciação.

Tempo de mercado

A Guardian Security está há 16 anos no mercado e foi pioneira na região ao trazer o conceito de monitoramento de alarme para Uberlândia. De acordo com Freire, a empresa é líder em segurança eletrônica na cidade. “Temos mais que o dobro de clientes em relação à concorrência”, disse.
A empresa também trabalha com o serviço de escolta de cargas, mas o projeto para o ano que vem é fortalecer a parte de vigilância, cujo mercado sofreu muito com a falência de algumas empresas. Segundo Freire, a intenção é realizar um trabalho forte nesta área e, para começar, será preciso realizar uma campanha interessante com as empresas que contratam este tipo de serviço. “Também trabalharemos de forma segmentada, direcionando esforços para o atendimento às empresas”, antecipou.

Gama de serviços

De acordo com o gerente comercial da Guardian Security, Renato Gomes de Pádua, o cenário atual é bastante dinâmico e diferente de alguns anos atrás. Ele diz que a tendência do mercado corporativo é buscar fornecedores com a capacidade de integrar serviços, ou seja, de criar soluções otimizadas e específicas para cada cliente. “Hoje é importante oferecer soluções completas”, enfatizou.
Segundo ele, antigamente tinha-se profissionais específicos para cada tipo de atividade e o vigilante era o último dessa lista em termos de qualificação, mas esse quadro mudou. Renato Gomes esclarece que o vigilante atual concentra uma série de atividades, que antes eram feitas por outros profissionais, como recepção, informação, atendimento, controle e outras. “Isso faz com que o vigilante seja cada vez mais qualificado e tenha um treinamento apurado. As empresas que fornecem este tipo de serviço precisam se adaptar, entender essa mudança de mercado e suas variações”, ressaltou.
“Temos uma percepção clara do mercado e sabemos que em pouco tempo as empresas vão querer concentrar suas necessidades de segurança em um único fornecedor. A proposta que temos é dizer para cada cliente que nós temos a solução e que por isso ele pode cuidar do seu negócio porque da segurança a gente cuida”, concluiu.

Monitoramento foi iniciado por uma necessidade interna

O sistema de rastreamento da Moura Segurança teve início em 1999 e começou por uma necessidade interna da empresa de monitorar seus veículos de escolta. Nessa época, o que existia no mercado, basicamente, eram equipamentos de transmissão baseados em transmissão via satélite. A empresa optou pela tecnologia que atendia sua demanda.
De acordo com o coordenador de Gerenciamento de Riscos da empresa, Vitório Semann da Costa, o mercado evoluiu e hoje oferece produtos diferenciados até para veículos de passeios, que dão às pessoas oportunidade de controlar seus familiares através de um celular. Os aparelhos podem atuar, inclusive, como bloqueadores. “A tecnologia está mais disseminada e com custos mais baixos”, acrescentou.
O serviço de rastreamento da Moura é direcionado para acompanhamento de cargas, veículos das mais variedades espécies, de distribuição e de transferência. O acompanhamento é feito via satélite e a atuação pode ser em qualquer ponto do território nacional.
Semann explica que a empresa se preocupou não só com os equipamentos de rastreamento, mas também com os de back-ups, que permitem oferecer uma continuidade do serviço ao cliente, mesmo que ocorra perda de energia. A entrada da Moura no mercado de rastreamento se deu por vários fatores, mas principalmente pelo sistema de escolta oferecido pela empresa. “Nós tínhamos os equipamentos instalados em nossos veículos e utilizávamos uma central para fazer o nosso monitoramento. No entanto, o número de roubos de cargas e de veículos aumentou muito no Brasil e, por isso, decidimos fazer o investimento”, contou.
De acordo com Semann, o diferencial da empresa é que ela não faz apenas o monitoramento por meio do computador, mas cria medidas para evitar que situações de risco ocorram. “Fazemos um trabalho preventivo com os empresários para que estabeleçam normas dentro de suas empresas, porque o fato de o equipamento estar instalado em seu veículo não significa que ele está 100% protegido. O aparelho é um inibidor”, ressaltou.

Cargas

A Moura faz monitoramento de cargas completas, ou seja, o equipamento é instalado no veículo. Mas o mercado também oferece equipamentos para monitoramento de frações de uma carga. Atualmente, a empresa monitora cerca de 800 veículos. Segundo Semann, a utilização do rastreamento vem de encontro à necessidade da seguradora, que impõe alguns limites. “Por exemplo, determinada carga só poderá ser transportada em veículo sem rastreamento ou sem escolta se seu valor for de R$ 50 a R$ 80 mil, que em termos de carga é um valor irrisório. A partir dessa quantia, até R$ 200 mil, o veículo deve ser rastreado e, acima desse valor, além de rastreado deve ser escoltado”, explica o coordenador de Gerenciamento de Riscos da Moura.
Entre as cargas mais visadas estão cigarros, medicamentos e itens alimentícios como leite em pó. Segundo Semann, estas são mercadorias que se colocam no mercado e que são difíceis de se distinguirem das outras. “Não há como rastrear esse tipo de carga. É possível, mas é complicado e caro”, disse.
O gerente conta que já tiveram alguns problemas em Uberlândia, mas que os números diminuíram muito até pela própria atuação da polícia no Estado e na região. Segundo ele, alguns locais são mais complicados, dentre eles, São Paulo, rodovia Anhanguera e Via Dutra. Fora do Estado paulista, quase todo o Nordeste, além do Estado do Mato Grosso, ainda mantêm altos índices de roubos de cargas.
Mas os sistemas de monitoramento e rastreamento não estão limitados aos caminhões ou carros de passeio. Semann acredita que se os ônibus intermunicipais e interestaduais fossem monitorados muitos assaltos poderiam ser evitados, índice que tem crescido nos últimos anos. Mas entende que a situação de algumas empresas, no momento, é de dificuldades. “Para fazer o monitoramento é preciso investimentos altos e se não tiver receita para isso é prejuízo certo”, concluiu.
A Moura iniciou no mercado prestando serviços de segurança em eventos. Depois, a empresa adquiriu a autorização para fazer vigilância armada em Minas Gerais. Isso em 1998. Atualmente, a Moura opera com a escolta de cargas nacionalmente. A empresa possui rota para o Maranhão, Sul do País, Bahia e várias outras localidades.

Gerenciamento de riscos

A consolidação do Gerenciamento de Riscos no transporte de cargas reflete, entre outros fatores, em uma nova postura do embarcador. Ele está cada vez mais interessado em ter como fornecedores empresas de transportes de cargas comprometidas com o gerenciamento de riscos (GR) inerentes a essa atividade.
O diretor de Gerenciamento de Riscos da Pamcary, Antônio Clemente, diz que os embarcadores, ao procurarem a empresa para projetar, implantar e acompanhar os planos de GR no transporte de seus produtos, obtêm vários benefícios: redução dos roubos de carga, acidentes e avarias, garantia da aceitação dos riscos com taxas competitivas nas apólices, disponibilização de informações sobre a localização da carga durante a viagem, além de outros. “Munidos destes planos, os embarcadores passam a negociar diretamente com a seguradora, obtendo custos mais vantajosos, de acordo com os resultados alcançados”, afirma Clemente.
O GR é baseado em três pilares: tecnologia, gestão de pessoas e procedimentos. Antônio Clemente explica que em relação à gestão de pessoas, é possível, por exemplo, reduzir, cerca de 30% o roubo de cargas com a “filtragem” dos profissionais que trabalham na operação logística. No caso do uso dos rastreadores eles são particularmente determinantes: se não existir uma regra, será impossível detectar uma exceção.
As tecnologias de rastreamentos podem ser classificadas em duas categorias: por configuração e uso (inquirições periódicas ou inteligência embarcada) e pelo meio de comunicação empregada (satélite ou terrestre).

Configuração e uso

Na inteligência embarcada, o próprio veículo interpreta e reage a uma não conformidade (desvio de rota, parada não programada, abertura de portas do baú em local não autorizado e outras). No sistema de inquirições periódicas ou polling isso se processa em um software que roda na base remota, requerendo a atenção de um operador para o acionamento da reação apropriada.
Em ambas as configurações, as possíveis reações compreendem o bloqueio do movimento do veículo, o acionamento de sirenes e alarmes, o travamento das portas do baú, entre outros recursos. As vantagens da inteligência embarcada residem, principalmente, no menor custo de comunicação em razão de o sistema se comunicar com a base só nas exceções, bem como na velocidade da reação, pois o próprio veículo percebe que está sendo alvo de um roubo e reage prontamente.

Tecnologias de comunicação

As principais tecnologias de comunicação são feitas por satélite e por celular. A opção pelo celular permite a observação de custos menores, mas, no Brasil, ainda há muitas áreas não cobertas por este tipo de comunicação. A comunicação por satélite de alta órbita não limita o veículo a uma determinada região, no entanto o custo de comunicação é atualmente mais alto em comparação com a do celular. A solução ideal de comunicação seria a inteligência embarcada em sistema híbrido: por celular, sempre que possível, já que os custos são muito menores, e por satélite, quando necessário.

Desenvolvimento de projetos

Para desenvolver projetos de GR para o transporte de cargas, a Pamcary primeiramente examina a idoneidade das pessoas envolvidas com a operação do cliente. Para isso, a empresa dispõe de um banco de dados com informações sobre cerca de 1,4 milhão de motoristas de carga e dados correspondentes a 15 milhões de viagens realizadas nos últimos quatro anos.
O mesmo banco de dados, conhecido como Telerisco, ainda possui informações sobre 83 mil veículos suspeitos e respectivos proprietários, além do histórico sobre 90 mil sinistros. O cruzamento de todas estas informações é feito em apenas 1 minuto, em média. “Somente nesta primeira etapa, conseguimos baixar o índice de roubos em mais de 30%”, diz Antônio Clemente, diretor de Gerenciamento de Riscos da Pamcary.
Depois de verificar a idoneidade do pessoal envolvido com o transporte das cargas, a empresa passa a verificar outros fatores como a manipulação dos produtos, trajetos das viagens, tipos de veículos utilizados e outros. Em seguida, elabora um projeto minucioso, que inclui desde providências mais simples, como a manipulação correta da mercadoria durante o embarque, até as mais sofisticadas que prevê, por exemplo, o rastreamento de veículos por meio de diferentes tecnologias, entre telefonia celular, rádio e satélite. “Cada cliente exige um plano específico”, observa Dárcio Centoducato, diretor de Gerenciamento de Riscos da Pamcary.
Finalizado o projeto, a própria Pamcary realiza a sua implantação. Muitos dos instrumentos de GR são da própria empresa, tais como o rastreamento de veículos a distância e a consulta sistemática de informações sobre motoristas, veículos e respectivos proprietários. Atualmente, ela controla mais de 300 mil viagens interestaduais por mês. “A Pamcary é a única empresa de gerenciamento de riscos que compromete o seu faturamento ao êxito do trabalho”, salienta o diretor.
Quanto à valorização da logística, os Planos de GR da Pamcary também permitem que o segurado acompanhe o deslocamento de seus veículos por todo o Brasil, via internet, através do Infolog Web.

Contratação dos serviços

O mercado dispõe de várias empresas que têm oferecido importante contribuição para o setor, mas que prestam serviços de forma isolada, focada em objetivos específicos e, na maior parte das vezes, sem a visão do contexto do risco.
Por isso, a Pamcary sugere que a empresa prefira uma corretora que possua uma visão global dos riscos da área de transportes e que seja capaz de propor soluções integradas para tratá-los. Para adquirir esta visão global, a Pamcary trabalha com uma imensa quantidade de informações geradas pelo seu atendimento aos sinistros.
O porte da empresa também é um fator importante. A Pamcary, por seu lado, possui uma estrutura de aproximadamente mil profissionais e 32 filiais dispostas estrategicamente no País. Ela trabalha em parceria com 840 corretores.

Resultados

Ao adotarem o GR da Pamcary, embarcadores e transportadores conseguiram baixar significativamente o número de roubos de mercadorias. Em média, a redução dos prejuízos advindos dos desvios de mercadorias e de acidentes chega a 42%, mesmo incorporando os custos do plano de Gerenciamento de Riscos. Esta economia tem se perpetuado em torno de R$ 12 milhões ao ano, em média.
Os programas voltados especificamente para reduzir acidentes estão alcançando performance excelente. Um deles, desenvolvido juntamente com a Unilever, diminuiu os eventos em 65% no espaço de 10 meses. Neste case, o índice médio de sinistros caiu de 8 para 2,7 a cada 10 mil viagens.

Uberlândia como pólo de distribuição

Antônio Clemente concorda que a região de Uberlândia é considerada um pólo de distribuição e em face ao tráfego intenso de veículos, no ponto intermediário na conexão com Goiânia e Brasília, passou a ser uma área de risco. Segundo ele, em conseqüência disso, ela exige uma sistemática apropriada na prevenção a roubos de cargas. “A Pamcary possui postos avançados de pronta resposta, com veículos que desempenham procedimentos de vigilância. Ao longo da área, a empresa também dispõe de serviços de inspeção dos carregamentos nas paradas obrigatórias, no almoço e no pernoite”, disse.

Infra-estrutura

A primeira empresa no mercado de rastreamento foi a Controlsat, na metade da década de 1990. Em seguida veio a Autotrack que, quando começou a implantar seus equipamentos, tomou conta de 95% do mercado, apesar de ser um sistema mias caro. Segundo Semann, o fato de ter sido o primeiro equipamento a ser homologado e reconhecido pelos seguradores embargadores fez com que muitas empresas investissem nessa tecnologia, que tem como diferencial o fato de ser baseada em satélite de alta órbita, assim como a Controlsat.
Para o gerente, as outras tecnologias disponíveis no mercado são baseadas em sinais de telefone celular, GPRS e têm algumas restrições quando se trata de acompanhamento em rodovias. “É que nem todas elas têm cobertura de telefonia adequada”, justificou.
Os equipamentos de monitoramento são muito usados na logística, controle de entrega e acompanhamentos. O custo da manutenção varia em torno de R$ 100 mensais, um valor que é somado ao custo da comunicação, paga diretamente aos detentores dos sinais. O investimento inicial gira em torno de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil, no caso de equipamentos de tecnologia celular (GPRS) e de até R$ 15 mil em um sistema via satélite.
O diferencial destes sistemas é que eles permitem o acompanhamento em tempo real. Com ele é possível saber exatamente por onde o veículo passou, consegue trocar mensagens e obter respostas dos motoristas, acionar o bloqueio, controlar a temperatura da câmara fria, velocidade, abrir e fechar portas. Já no caso de carro de passeio existem alguns sistemas de bloqueio. “Hoje é possível monitorar uma pessoa pelo próprio celular, ou seja, ela pode ser acompanhada a qualquer momento”, ressalta Semann.

Saiba mais sobre alguns sistemas de segurança:

Bloqueador – Permite bloquear o carro a distância. São equipamentos que oferecem funções antifurto, como sensores de abertura das portas e sirenes. Não localiza o carro.

Prós – Funciona em locais fechados; rapidez do comando; custo baixo; equipamentos dispõem de sistemas antifurto.

Contras – A área de abrangência depende da cobertura da operadora; nunca se tem certeza de que o comando foi recebido; não localiza o carro.

Custo – R$ 200 a R$ 500; mais R$ 15 a R$ 30 mensais.

Rastreador – Localiza o veículo, mas não consegue bloqueá-lo. O sistema opera por intermédio de radiofreqüência e o rastreamento se faz pela triangulação de antenas.

Prós – Velocidade na transmissão dos sinais; funciona em lugares fechados; custo baixo; estrutura desenvolvida especificamente para a segurança automotiva.

Contras – A área de abrangência de funcionamento do sistema é restrita, normalmente limitada aos grandes centros urbanos.

Custo – Entre R$ 800 e R$1 mil, mais a mensalidade, que varia de R$ 30 a R$ 50.

Rastreador com bloqueador (via GPS e telefonia celular) – Localiza veículo por satélite; transmite coordenadas; recebe comando de bloqueio.

Prós – Localização precisa; rapidez no envio das informações; versatilidade para disponibilizar outras funções, como viva-voz.

Contras – Custo alto, quando muito utilizado; a área de abrangência depende da cobertura celular.

Custo – De R$ 1.500 a R$ 2.000, mais R$ 50 a R$ 130 mensais.

Rastreador com bloqueador (via GPS e radiofreqüência) – Localiza o veículo com o auxílio dos satélites GPS, envia e recebe sinais de comando e informações por freqüência de rádio. Muito utilizado por caminhões.

Prós – Localização precisa; ampla área de cobertura.

Contras – Equipamento de grandes dimensões; a rapidez de transmissão dos sinais depende da localidade; não funciona muito bem em grandes centros urbanos.

Custo – Entre R$ 1.800 e R$ 5.000, mais mensalidade entre R$ 50 e R$ 150.
Rastreador com bloqueador (via antenas de rádio) – Localiza o veículo por meio da triangulação do sinal de três antenas em terra. Proporciona boa precisão de localização a custos mais baixos e funciona normalmente em lugares fechados.

Prós – Custo baixo; localização precisa; rapidez na transmissão das informações.

Contras – A área de cobertura do funcionamento é limitada, normalmente, aos grandes centros urbanos.

Custo – Entre R$ 700 e R$ 1mil, mais mensalidades de R$ 30 a R$ 50.

Rastreador com bloqueador (via antenas de telefone celular) – Localiza por zoneamento. O sinal fica intenso quanto mais próximo esteja de uma antena.

Prós – Agilidade na transmissão de informações; possibilidade de instalação de viva-voz.

Contras – A área de cobertura depende das operadoras de celulares; funcionamento restrito onde há deficiência de sinais de telefonia; localização apenas por zoneamento.

Custo – De R$ 600 a R$ 1 mil, mais mensalidade entre R$ 50 e R$ 120.

Dicas importantes:

Que tipos de situações devem ser controladas?
Para evitar apenas furto, o imobilizador com alarme é suficiente. Mas se a idéia é recuperar o carro roubado, prefira os rastreadores.
Onde circula o seu veículo?
Se for só na cidade, um sistema de ondas de rádio ou de telefonia é mais eficiente. Os viajantes não têm como fugir de um sistema GPS.
Qual a área de abrangência do equipamento?
Sistemas de rádio e telefonia funcionam melhor nos centros urbanos. O GPS, em tese, abrange o mundo todo. Mas também depende de um sistema de rádio ou de telefone.É fácil e simples operar o sistema?
Quanto menos botões e senhas, melhor.
O fornecedor se dispõe a demonstrar e comprovar o funcionamento do sistema antes que você o adquira?
Se não, nem vale a pena insistir. Procure outra empresa


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