A violência no mapa da Capital


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 31 de agosto de 2008


31 de agosto de 2008 | N° 15712

GEOGRAFIA DO CRIME
A violência no mapa da Capital

O crime tem geografia própria e horário previsível para acontecer em Porto Alegre. Delitos sangrentos são noturnos e ocorrem quase sempre na periferia. Já fatos menos graves, como furtos e vigarices, acontecem mais de dia e nas áreas centrais ou nobres.

É o que evidencia um levantamento realizado por Zero Hora, com base nas estatísticas da Polícia Civil. Foi analisada a distribuição por regiões dos 42.080 crimes de maior poder ofensivo registrados entre janeiro e julho deste ano na Capital.

Sozinha, Porto Alegre respondeu por 22% dos homicídios do Estado, embora concentre apenas 13% da população gaúcha. Mata-se sobretudo na periferia, nas vilas com menor poder aquisitivo. Apenas no Rubem Berta (conjunto habitacional de baixa renda, na Zona Norte), foram 42 homicídios, enquanto a maior parte dos bairros centrais ou zonas nobres registrou um ou dois assassinatos no semestre.

Os homicídios acontecem sob o manto da escuridão. Dos 165 assassinatos registrados entre janeiro e junho, 116 aconteceram à noite. É noturna, também, a maioria dos assaltos que terminam em morte da vítima (latrocínio) e os roubos à mão armada. A explicação é simples: matar ou assaltar requer uso de armas, objetos difíceis de esconder durante o dia.

– A idéia do assassino ou do assaltante é emboscar a vítima. Por isso, atuam no escuro – reforça o delegado Cleber Ferreira, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, sob cuja responsabilidade estão todas as delegacias de bairro da Capital.

Delitos sem agressão física predominam à luz do dia

À luz do sol, predominam crimes que não envolvem agressão física. É o caso do furto – no qual o ladrão age sem violência ou despercebido pela vítima –, do estelionato e do furto de veículo, aquele no qual o carro simplesmente “desaparece”, sem que o dono sequer veja os criminosos.

O mesmo mecanismo explica por que a maior parte dos furtos de veículos acontece nas áreas centrais da Capital. É que a presença de multidões facilita que os ladrões ajam de forma dissimulada. No meio do caos urbano, ninguém repara em alguém encostado num carro ou num alarme que dispara. Já assaltantes que desejam levar um veículo agem mais em locais desertos, longe de avenidas, para que suas armas não sejam percebidas.

Mas se a Polícia Civil e a BM sabem horários e locais dos crimes, por que é tão difícil combatê-los?

O delegado Ferreira diz que o complicado é reunir provas. As testemunhas têm medo, e o criminoso, na hora de ser preso, desfaz-se de objetos que possam comprometê-lo, como armas, drogas e pertences de vítimas. O mapeamento serve mais para prevenir os crimes do que para reprimi-los.

As estatísticas policiais estão longe de serem definitivas. Isso porque muitas pessoas optam por não registrar os crimes dos quais são vítimas.

– Por medo de represália ou simplesmente por não confiar que vá resultar em alguma ação das polícias – completa Marcos Rolim, consultor em segurança pública.

Rolim realizou um levantamento há dois anos em Alvorada sobre a “cifra obscura” da criminalidade. Ela é composta pelos delitos não registrados. No caso dos furtos, a maior parte não é comunicada, especialmente se envolve perda de pequenas quantias ou objetos. O mesmo acontece com estupros, por temor da vítima. Um fenômeno que, as próprias autoridades acreditam, repete-se em Porto Alegre.

humberto.trezzi@zerohora.com.br

HUMBERTO TREZZI


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