Acuados pela violência


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 28 de setembro de 2008

28 de setembro de 2008 | N° 15742 Jornal Zero Hora

VÍTIMAS DE ASSALTO

Acuados pela violência

O que fazer quando o criminoso assoma à janela do carro e aponta o revólver contra a cabeça do seu filho pequeno? Como agir se um ladrão está arrombando a porta da casa, enquanto sua família dorme? É possível evitar a violência que a todos ameaça, a qualquer hora, sem tréguas?

No dia 11, o caderno ZH Moinhos publicou o e-mail do agente de viagens Émerson Paim, 36 anos, de Porto Alegre, fulminado pela impotência e pelo desespero ao ver uma arma engatilhada contra sua mulher e seu filho. Se já é traumatizante deparar com a criminalidade andando só, mais ainda se envolver familiares e amigos ao mesmo tempo.

O relato de Paim fez ZH buscar outros depoimentos igualmente estremecedores, de pessoas colhidas pela bandidagem quando estavam na companhia de seus afetos. São cinco histórias diferentes, mas unidas pelo mesmo drama: o medo adicional de perder o filho, o marido, a namorada, um amigo.

Não há receita que garanta ficar imune a roubos, assaltos e homicídios. Atenção e cautela ajudam a prevenir – ou pelo menos reduzir os danos. No entanto, autoridades da Polícia Civil e da Brigada Militar asseguram que uma das providências mais eficazes é não enfrentar delinqüentes armados.

– Se já é recomendável não reagir sozinho, pior ainda quando se está com a família – alerta o delegado de Roubos e Extorsões da Capital, Juliano Ferreira.

O comandante de Policiamento da Capital (CPC) da Brigada Militar, coronel Jarbas Vanin, apresenta números para demover quem cogita reagir. Observa que, dos 310 homicídios ocorridos em Porto Alegre neste ano, 76% foram execuções ou brigas entre gangues de traficantes. Apenas 7% foram latrocínios (roubo com morte). Desse percentual, 3,5% vitimaram motoristas que tentaram reagir em roubo de carros.

Não banque o herói, não tente abordar um criminoso, de maneira alguma – aconselha o coronel.

É difícil sugerir como se comportar quando a violência surpreende. Para os delegados da Polícia Civil Cleber Lima (Gravataí) e Francisco Antoniuk (Alvorada), há duas posturas a perseguir: manter a calma e evitar gestos bruscos.

– O patrimônio, bem ou mal, pode ser recuperado. A vida, não – avisa o delegado Lima.

nilson.mariano@zerohora.com.br

NILSON MARIANO


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