Assaltantes de correntistas seriam treinados em trilhas


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 20 de setembro de 2008

20 de setembro de 2008 N° 15732 Jornal Zero Hora

OPERAÇÃO CARAVAGGIO
Assaltantes de correntistas seriam treinados em trilhas

Quadrilha atacava clientes após saques de grandes quantias de agências bancárias de Porto AlegreSe assaltos com o uso de motocicletas são comuns na Capital, o uso das supermotards, como são conhecidos os modelos de alta cilindrada desenvolvidos para trilhas, mas com pneus preparados para o asfalto, surpreendeu a Polícia Civil (PC). Segundo investigações, assaltantes que atacavam clientes de bancos após saques de grandes quantias na Capital treinavam a fuga em trilhas de motocross. Na quinta-feira, suspeitos de integrar a quadrilha foram presos em cinco municípios metropolitanos.

Por serem motos maiores, mais pesadas e, geralmente, com 400 ou mais cilindradas, esses veículos de uso misto são preteridos por bandidos comuns, que optam por modelos mais leves, com até 250 cilindradas, de uso urbano.

– Foi uma das evidências de que se tratava de um grupo diferenciado, muito organizado – diz o delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos.

Essas motos teriam sido introduzidas na quadrilha, que fez mais de 40 vítimas em quatro meses, por um dos suspeitos presos na quinta-feira. Com 24 anos, ele é piloto amador de motocross e teria treinado comparsas em trilhas em Eldorado do Sul e na zona sul da Capital.

– Só usavam motos zero-quilômetro. Com elas, é impossível a perseguição policial em viaturas. Os caras conseguiam subir escadarias, barrancos – afirma um agente da PC.

A mesma atenção dadas às motos que garantiam a fuga era destinada também à estratégia de ataque às vítimas. Segundo a polícia, quem ficava no banco e deixava o rosto à mostra para as câmeras, por exemplo, tinha a ficha limpa, boa aparência e habilidade para observar os clientes sem despertar suspeitas. Cuidado semelhante havia também no momento do ataque, que ocorria sempre longe da agência e por outros assaltantes, para dificultar a identificação por câmeras.

– Em algumas vezes, seguiram a vítima até uma cidade vizinha para dar o bote – conta uma das agentes que investigou o grupo.

Depois do assalto, as motos e os capacetes usados e algumas das armas eram escondidos em um estacionamento na Avenida Júlio de Castilhos, no centro da Capital. O local era usado como QG do grupo. Ali, os motociclistas aguardavam até as vítimas serem escolhidas pelos olheiros na fila.

Conforme a investigação, para levar o dinheiro e as armas para Eldorado do Sul, onde moravam 15 dos 22 presos, o grupo usava veículos conduzidos por cinco mulheres, todas companheiras de suspeitos presos. Jovens e sem antecedentes, elas não despertavam a atenção dos policiais durante eventuais blitze.

francisco.amorim@zerohora.com.br

FRANCISCO AMORIM

Alternativa eletrônica
> Para driblar a ação de assaltantes que vigiam clientes dentro das agências bancárias, especialistas financeiros apontam como alternativa dois tipos de transferência por meio eletrônico: a Transferência Eletrônica Disponível (TED) e o Documento de Ordem de Crédito (DOC). Ambas podem ser feitas a partir dos sites dos bancos:

DOC: para transferir valores inferiores a R$ 5 mil. A compensação ocorre no dia seguinte a operação
TED: para valores superiores ou igual a R$ 5 mil. Compensação no mesmo dia, se for feita em horário bancário, ou para o dia seguinte, se for feita fora do horário

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