Condomínios na mira de bandidos


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 27 de dezembro de 2009

27 de dezembro de 2009 | N° 16198
LARES EM RISCO
Condomínios na mira de bandidos
Quadrilhas especializadas em assaltos a bancos e carros-fortes veem nas residências um novo alvoCondomínios de classe média alta estão novamente na mira de criminosos no Estado.

O segundo ataque em um mês a prédios de uma mesma região da Capital leva a polícia a acreditar que a cidade vive o início de uma nova onda de assaltos a este tipo de moradia. A terceira nesta década.

Em 2000, uma quadrilha liderada pelo carioca Maurício Chaves da Silveira, o Mauricinho Botafogo, já havia aterrorizado os porto-alegrenses. Entre 2006 e 2007, outro bando repetiu a dose com uma série de assaltos. Nos dois casos, os grupos foram desarticulados pela Polícia Civil.

As primeiras investigações apontam que assaltantes de banco e carros-fortes integram a quadrilha que saqueou 10 apartamentos de um prédio na Rua Silva Jardim, bairro Mont’Serrat, no dia 19, e invadiu outro prédio, no dia 19 de novembro, na Rua Passo da Pátria, na Bela Vista.

Por que criminosos especializados no ataque a estabelecimentos financeiros e a veículos de transporte de valores estariam migrando para roubo e arrombamento de residências? Seria uma ação isolada ou uma tendência no submundo do crime? Para responder a essas perguntas, Zero Hora ouviu autoridades policiais e especialistas em segurança. As respostas são preocupantes.

– Quadrilhas preparadas estão diversificando suas ações. Vão onde podem lucrar mais. Pode ser um banco no Interior ou um condomínio na Capital. Esse é um fenômeno também observado em São Paulo – afirma o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Ranolfo Vieira Júnior.

Verão oferece mais riscos

O uso de radiocomunicadores na frequência da polícia, o conhecimento de detalhes da arquitetura do prédio e da vida de seus moradores e revelação aos reféns de que o ataque fora planejado ao longo de seis meses são indícios de que o assalto ocorrido na noite do dia 19 foi orquestrado por uma quadrilha organizada.

– Usaram armas, equipamentos e técnicas semelhantes às empregadas em grandes assaltos a banco – explica o delegado Juliano Ferreira, titular da Delegacia de Roubos do Deic.

Sem revelar nomes para não atrapalhar as investigações, o delegado confirma que um uruguaio está entre os líderes da quadrilha que invadiu o prédio, velho conhecido da polícia.

Ações como essa estão se tornando frequentes. Na mesma semana, outra quadrilha invadiu a casa de um empresário do setor do plástico em Esteio. Renderam a família usando lacres de plástico e fugiram levando R$ 900 mil. Conheciam detalhes da rotina da vítima e sabiam que estaria com dinheiro em casa para pagar funcionários.

A pergunta que fica é: seriam os dispositivos de segurança usuais, como câmera de vídeo e vigilância 24 horas, páreo para o crime organizado? Para o comandante do Policiamento da Capital, coronel Altemir Ferreira, os procedimentos de segurança dificultam o ataque, mas o combate ao crime só é possível com inteligência.

– Após invadir um condomínio, os criminosos se aproveitam dos mecanismos de segurança do prédio para permanecerem ocultos – avalia.

O oficial confirmou que PMs da área de inteligência da BM também tentam identificar os criminosos que praticaram os dois últimos ataques na Capital. Ele, porém, é enfático quanto aos riscos nesta época do ano.

A preocupação da polícia é que bandidos aproveitem a temporada de veraneio. Como menos gente na cidade, é menor o número de reféns a serem controlados.

francisco.amorim@zerohora.com.br

FRANCISCO AMORIM

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