Escutas prejudicadas em novas operações


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 26 de outubro de 2008

26 de outubro de 2008 | N° 15770 | Jornal Zero Hora

FURTO E ROUBO DE VEÍCULOS SA

Escutas prejudicadas em novas operações


Em vigor desde agosto, uma resolução do Conselho de Magistratura do Estado que mudou as regras para as escutas telefônicas pode influenciar futuras investigações. Agora, os pedidos dos delegados não são mais analisados pelo plantão do Fórum Central, como ocorria até agosto, mas pelos titulares da Varas Criminais que serão responsáveis pela condução de um futuro processo.

A idéia é permitir que o magistrado acompanhe, assim, todo o caso, evitando eventuais excessos por parte da polícia no monitoramento de suspeitos. Na prática, autorizações judiciais que eram concedidas ou negadas em menos de 24 horas, agora, levam semanas para serem analisadas.

Entre os problemas causados pela mudança, está o fato de que as interceptações precisam ser renovadas a cada 15 dias. Caso não ocorra a renovação, ela sai do sistema Guardião, da Secretaria da Segurança Pública, dando espaço a outra escuta da fila de espera.

– Por conta dessa burocracia, na semana passada, meus agentes ficaram sem monitorar nenhum suspeito – destacou Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos.

Outro problema é que o ritmo de análise é menor do que crime organizado impõe.

– Os criminosos trocam de celular a toda a hora. Usam telefones de laranjas, precisamos de agilidade – reforça Juliano.

Dificuldades que podem influenciar na realização de novas operações de combate a ladrões de carros na Capital, ressalta Heliomar Franco, da Delegacia de Roubos de Veículo:

– Já suspendi uma operação por causa disso. Para combater o crime organizado, a escuta telefônica continua sendo a principal arma. A partir das interceptações de conversas, quadrilhas que dificilmente deixam outros rastros puderam ser desbaratadas.

Divergências que levaram a direção do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) a solicitar à Corregedoria da PC que negociasse, nas próximas semanas, mudanças no novo rito na Justiça.

O poder das gravações

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Civil durante a Operação Autotráfico detalham o funcionamento do esquema que levava veículos do Estado para o Paraguai:

> Depois de receber a notícia de um informante de que um dos carros que havia encomendado estava sendo seguido por policiais brasileiros, receptador paraguaio telefona para o comparsa que guiava o automóvel até solo paraguaio

Receptador paraguaio – Tá no hotel?

Motorista – Tô.

Receptador paraguaio – Sai fora deste hotel, que a polícia veio atrás de você lá de Porto Alegre até aqui. É um Astra azul, quatro portas, placa (…), de Porto Alegre.

Motorista – Ah, é?

Receptador paraguaio – Lá de cima veio atrás de você. É tudo polícia. Tem quatro caras dentro, tudo de preto, é polícia.

Motorista – Ô, loco.

Receptador paraguaio – Tá com a máquina de tirar fotos, tá tirando foto a estrada inteira do golzinho.


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