Insegurança cria mercado de US$ 1 bi no País


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 31 de agosto de 2006

O cenário de guerra montado nos últimos meses pelo crime organizado em grandes capitais brasileiras — em especial São Paulo e Rio de Janeiro — é um prato cheio para as empresas que fornecem serviços de segurança eletrônica no Brasil. As cerca de 7 mil empresas especializadas nessa área esperam crescer entre 10% e 15% este ano, recuperando as perdas de anos anteriores e ampliando a receita do mercado, que deve gerar U$S 1,1 bilhão em 2006, ante os US$ 920 milhões do ano anterior. As empresas de segurança estão divididas em revendedores e instaladores (48,63%), monitoradores (29,85%), distribuidores (12,45%) e fabricantes (9,07%).
Os sinais de incremento nos negócios do setor diferem do panorama do mercado nos últimos anos. O segmento apresentou mais queda do que propriamente crescimento desde 2002. De acordo com Oswaldo Oggiam Júnior, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o boom do setor foi em 2000, com a entrada de multinacionais no País, como a Siemens e a Tyco, por exemplo. “Isso impulsionou o crescimento do mercado de segurança eletrônica, cujo ápice foi em 2001, com alta de 20%”, disse.
Com a mesma opinião, Paulo Alvarenga, diretor da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), explica que a alta na procura pelos produtos e serviços do setor nessa época foi também um reflexo da insegurança mundial generalizada, decorrente do episódio de 11 de setembro de 2001, envolvendo ataques terroristas aos Estados Unidos. “A segurança eletrônica se tornou um trunfo depois de tantos conflitos globalizados”, comentou o diretor da Abinee.
Apesar disso, houve queda brusca nos anos seguintes, decorrentes de fatores políticos. “A entrada do novo governo (2002), diminuiu os investimentos. A crise foi acentuada nos anos seguintes, devido à recessão do varejo”, comentou Oggiam Júnior.
Recuperação
Tudo começou a mudar nos últimos dois anos. O dólar estável e a retomada dos investimentos por parte das empresas favoreceu a retomada do setor. Segundo especialistas, entre 2004 e 2005 houve, por exemplo, aumento da importação de componentes e produtos em 13%. O que justifica os dados da Abese, de que 80% dos produtos comercializados pelo mercado são importados.
Oggiam Júnior reforça a atuação dos que ganham com o aumento das importações: “as revendedoras e as instaladoras de sistemas de segurança estão entre as mais favorecidas”, diz ele.
Considerada a menina-dos-olhos do mercado de segurança eletrônica, a área financeira é responsável por R$ 19,6 bilhões de investimentos entre automação, softwares para aumentar a segurança nas transações bancárias, novos terminais de auto-atendimento e linhas e equipamentos de telecomunicações.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o sistema bancário precisa instalar softwares cada vez mais potentes para combater a invasão de hackers nas transações financeiras.“Por isso, este é o segmento que mais impulsiona a integração dos sistemas de segurança no País”, acredita Marcos Menezes, gerente de projetos da divisão de sistemas de segurança da Bosch.
Atuando no mercado financeiro há 12 anos, o executivo se especializou no desenvolvimento de projetos de segurança eletrônica para tesourarias e terminais de auto-atendimento no Brasil.
Seu know how o leva a crer em uma tendência: o mercado deverá buscar desenvolver, sistematicamente, tecnologias específicas para cada segmento. “A proliferação de terminais de auto-atendimento criou tecnologias de blindagem e fixação no solo, pois a maioria das ocorrências é de retirada do equipamento”, explica.
Outra tendência apontada é a da atuação de empresas que integrem os sistemas de segurança, como a Siemens, que obteve 50% do faturamento com serviços de monitoramento. O grupo, que faturou R$ 7 bilhões em 2005, possui uma divisão chamada Building Technologies, que oferece serviços na área de monitoramento e integração de sistemas de segurança. A divisão crescerá acima de 10% este ano, puxada pelo crescimento do segmento de segurança eletrônica.
“Há uma forte demanda por sistemas integrados de segurança e não existem muitas empresas que atuem tão forte neste mercado”, afirma Paulo Alvarenga, superintendente da divisão de monitoramento da Siemens no Brasil, além de diretor da Abinee.
A empresa ampliou seu mix de serviços com o desenvolvimento de uma tecnologia de monitoramento de condomínios verticais e com a entrada na prestação de serviços de rastreamento de veículos. “Somos a única empresa que opera em back-up contínuo e oferece uma central de monitoramento em duplicidade”, declara.
Ao atender o mercado com soluções integradas de segurança eletrônica, a Dimep Sistemas de Ponto e Acesso faturou R$ 47 milhões no ano passado. A empresa projeta aumento de 20% em 2006, investindo em tecnologia de produtos.
“A segurança caminha para a identificação biométrica, o que confere precisão e praticidade em ambientes públicos”, sintetisa Dimas de Melo Pimenta, diretor de tecnologia da empresa.
Fonte: DCI

Tags:


Eu quero mais artigos como este!


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.