O terror volta às estradas


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 5 de novembro de 2008

05 de novembro de 2008 N° 15780 Jornal Zero Hora

ROUBO A CARRO-FORTE
O terror de volta às estradas

Blindado foi alvo de bandidos ontem após três anos sem assaltos

Depois de quase três anos, bandidos voltaram a assaltar com sucesso um carro-forte em estradas gaúchas. Às 9h15min de ontem, um grupo armado com fuzis e explosivo interceptou um blindado da empresa Brinks, na BR-116, em Tapes, roubando malotes de dinheiro que seriam levados para bancos em Camaquã, na região sul do Estado. Nenhum dos quatro vigilantes foi ferido, e a quantia levada não foi revelada.

O ataque chamou a atenção pelo planejamento, lembrando ações na mesma rodovia da quadrilha liderada por José Carlos dos Santos, o Seco, que aterrorizou o Estado até ser preso, em abril de 2006. A diferença neste caso é que não foi usado caminhão nem patrola para tirar o carro-forte da estrada.

Cerca de 10 encapuzados com coletes à prova de balas participaram do assalto usando quatro veículos. O blindado teria sido seguido desde sua saída de Porto Alegre por um comboio liderado por um Peugeot e um Astra, acompanhado por um Vectra e um Audi. O Peugeot havia sido roubado de uma lavagem de automóveis há mais de um mês, em Canoas, e estava com placas clonadas.

Em um aclive, no km 347, o carro-forte foi abordado quase que de forma sincronizada pelo bando. Dos carros, os bandidos jogaram um explosivo (uma espécie de bola de sinuca com esferas de aço e pólvora dentro que acabou não detonando) contra os pneus e dispararam contra o blindado. Do matagal, no leito da rodovia, surgiram quatro encapuzados armados com fuzis.

Parado à força pelos tiros, o carro-forte teve mais de 20 perfurações no pára-brisa, no motor e na lataria. Um dos disparos atravessou a porta junto à cabine.

– Ouvi a barulheira da minha casa. Foi uma coisa muito feia – comentou o agricultor Aírton Garcia, 58 anos, que mora a 300 metros do local do assalto e só saiu de casa depois da chegada da polícia.

Dominados, os vigilantes tiveram de entregar armas e coletes à provas de balas e abrir o cofre de onde os bandidos roubaram malotes. Na fuga, parte da quadrilha teria trocado tiros com vigilantes de um empresa que passavam de carro pelo local.

Os criminosos que estavam no Peugeot seguiram pela BR-116 em direção a Camaquã. Os ladrões rodaram cerca de dois quilômetros, dobraram à esquerda em uma estrada vicinal e se embrenharam em uma plantação de acácias. Em seguida, atearam fogo no veículo, possivelmente disparando contra o tanque de combustíveis. O restante do bando tomou rumo ignorado.

O episódio mobilizou policiais rodoviários, civis e militares. A Polícia Rodoviária Federal fez barreiras, e a BM sobrevoou a região em um avião Ximango e um helicóptero, mas nenhum suspeito foi localizado. A Delegacia de Roubos e Extorsões assumiu o caso. O delegado Ranolfo Vieira Júnior evitou tecer comentários sobre o crime, lembrando que desde dezembro de 2005 não ocorriam roubos consumados nas rodovias gaúchas. Para ele, dificilmente, a quadrilha de Seco teria envolvimento no caso, pois a maioria do bando está presa.

Em 7 de abril, ocorreu uma tentativa de roubo a um blindado da Brinks na RS-115, entre Gramado e Taquara. Os bandidos usaram um caminhão para tirar o carro-forte da estrada, dominaram os vigilantes, mas não conseguiram abrir o cofre, levando malotes apenas com documentos.


joseluis.costa@zerohora.com.br

JOSÉ LUÍS COSTA Tapes



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