Pavor em Bento


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 7 de abril de 2008

Bento Gonçalves viveu uma tarde de apreensão no sábado. Depois de manter por duas horas 12 pessoas reféns, inclusive uma criança de dois anos, quatro assaltantes se entregaram sem deixar feridos graves. A ação, que se iniciou como um assalto a uma fruteira uma área nobre da cidade por volta das 12h30min, transformou-se em uma exposição pública de violência.
Transmitida ao vivo por rádios locais, a negociação entre bandidos e polícia atraiu centenas de pessoas à Travessa Bagé, no bairro Cidade Alta, só aumentando a comoção. A Brigada Militar (BM) teve trabalho para controlar a multidão que tentou linchar os assaltantes enquanto eles eram presos. Uma das criminosas se passou por refém libertada para tentar escapar, mas foi contida por populares.
No início da tarde de sábado, o vigilante e diversos funcionários do Mercadão da Fruta, no Centro, haviam saído para almoçar e apenas alguns clientes e cinco funcionários estavam na fruteira quando dois casais chegaram anunciando o assalto pouco depois das 12h30min. Armados com dois revólveres, os bandidos renderam funcionários.
Após recolher o dinheiro, Renato Mello de Oliveira, 25 anos, Airton Teodoro Rodrigues, 39 anos, Suzamar Espinel Oliveira, 20 anos, e Aline da Silva, 19 anos, pretendiam fugir quando a BM cercou o lugar após receber uma ligação informando sobre o assalto.
Os bandidos perceberam que não havia outra saída do prédio. Então, obrigaram os reféns a ficar na entrada do mercado sob a mira de dois revólveres apontados pelos dois homens e duas facas empunhadas pelas duas mulheres.
Moradores tentaram linchar bandidos
A negociação com a BM foi tensa. Primeiro, os quatro assaltantes queriam um carro para fugir. Nesse momento, o dono da fruteira foi libertado para que ele pegasse o seu carro para ser usado na fuga. Nervoso, ele saiu do local sem as chaves. Demonstrando frieza, em diversos momentos os bandidos ameaçaram matar os reféns.
– Um dos homens mandou um dos clientes se ajoelhar e atirou, mas errou. Eu me apavorei, achei que ele o tinha matado e achei que eu ia ser o próximo. Um deles começou a me dar socos. Eles começaram a falar que iam rolar cabeças – conta um funcionário mantido como refém, que pediu para não ser identificado.
Entre as vítimas estavam a auxiliar de estofaria Kelly de Souza, 23 anos, o marido dela, o prototipista Márcio Alves da Silva, 25 anos, e a filha do casal, Nicole Alves da Silva, dois anos e três meses. Quando a família foi tomada como refém, Nicole, nos braços do pai, chorava muito.
– Quando ela chorou, uma das mulheres falou: “estoura logo a cabeça dessa menina” – conta Kelly.
Durante as negociações, a polícia tentava fazer com que a pequena Nicole fosse libertada primeiro, enquanto os bandidos faziam questão de mantê-la como escudo.
As negociações só avançaram quando duas exigências dos assaltantes foram atendidas: a presença da imprensa e do advogado Carlos Alberto Sandoval. Na hora de libertar os primeiros reféns, os assaltantes combinaram que Kelly sairia, sem a filha, junto com Aline, uma das ladras que se passaria por refém libertada. O dinheiro recolhido no assalto, cerca de R$ 6 mil segundo a BM, foi colocado na bolsa de Kelly
.As duas foram levadas para uma ambulância dos bombeiros. Nesse momento, o dono da fruteira teria reconhecido a assaltante na ambulância e avisado. Aline saiu correndo pela rua, mas foi detida. Dezenas de populares deram tapas e chutes na assaltante.
Cinco reféns, entre eles, Márcio e a filha, foram mantidos até por volta das 14h30min, quando os bandidos resolveram se entregar com o intermédio do advogado deles. Assim que os bandidos forem levados para as viaturas, a população avançou contra os carros, na tentativa de linchá-los.
Como Kelly havia saído junto com uma das assaltantes e tinha muito dinheiro na bolsa, ela e o marido foram levados para a delegacia algemados, com a filha. Após prestar depoimento, eles foram liberados.
A BM diz que o casal foi algemado como medida preventiva.
– Chegou um momento em que não se sabia mais quem era quem – disse o capitão José Paulo Marino.
Colaborou Nádia De Toni( kelly.pelisser@jornalpioneiro.com.br )
KELLY ISIS PELISSER

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