PMs faziam segurança clandestia usando estrutura policial no RS


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 16 de março de 2009

PMs faziam segurança clandestina usando estrutura policial

14/03/09

PMs usariam estrutura da Brigada para o bico – Juíza decretou ontem a prisão de um dos 59 policiais do Vale do Sinos denunciados por diversos crimes.

Policiais militares podem estar por trás de pelo menos seis empresas de segurança privada que atuam em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.Segundo as investigações da Operação Duas Caras, que colocou 59 PMs no banco dos réus por crimes como formação de quadrilha, roubo e até homicídio, os suspeitos teriam inclusive utilizado viaturas do 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) para prestar serviços particulares.

Responsável pelo inquérito policial-militar (IPM), o tenente-coronel Antônio Scussel afirma que, ao todo, oito estabelecimentos do tipo passaram pelo pente-fino do serviço de inteligência da Brigada Militar – a PM2. Foram encontrados indícios de que soldados e sargentos faziam parte do quadro de funcionários de seis dessas empresas, sendo que alguns apareceram como sócios-proprietários.

– Há farta documentação comprovando a participação, e isso vai muito além de simples bicos. O que havia ali era uma mescla da atividade pública com a privada, que sem dúvida prejudicava a pública – disse Scussel.

Em alguns dos estabelecimentos, os investigadores concluíram que havia mais de 10 PMs em atividade. Muitas vezes, segundo a promotora Sônia Mensch, eles desviavam as viaturas do policiamento de Novo Hamburgo para fazer a vigilância de clientes.

– Era uma espécie de rodízio. Por um determinado período, os carros da empresa monitoravam a área. No período seguinte, os PMs deslocavam um veículo da Brigada – afirmou Sônia.

Não bastasse isso, conforme a promotora, os suspeitos ainda usavam a mesma frequência de rádio da BM e se aproveitavam do sistema de informações de uso exclusivo da polícia durante os bicos. Para completar, Sônia afirma haver gravações que comprovam a condecendência de um tenente em relação aos subordinados, ao deixá-los de fora da Operação Golfinho para que não fossem prejudicados nos trabalhos paralelos. Os acusados, segundo o comandante do 3º BPM, tenente-coronel José Paulo Silva da Silva, já foram afastados das ruas.

Ao todo, dos 59 PMs indiciados no inquérito, 44 foram enquadrados por suspeita de bico, o que representa 16% do total do efetivo do 3º BPM, de 274 servidores. Mais da metade deles, segundo a promotora, estariam envolvidos com essas empresas. Os demais acabaram denunciados por trabalhar por conta própria como vigias de casas noturnas, entre eles um tenente, e de profissionais liberais.

Ontem pela manhã, um dos suspeitos de bico foi o primeiro a ser interrogado na Justiça Militar, em Porto Alegre, que ouviu outras três pessoas à tarde. A juíza Eliane Almeida decretou a prisão preventiva de outro soldado, suspeito de envolvimento na quadrilha denunciada por roubo.

Fonte: Zero Hora

Nota do Emir: A prática do “bico” já vem sendo combatida há algum tempo dentro das estruturas de policiamento militar e civil. Não há dúvidas que ocorrem as pressões para a prestação desse tipo de serviço fora da lei. E o pior é que em caso de algum sinistro que cause a morte e/ou a invalidez do policial, o Estado arcará com todos os custos envolvidos… ou seja… nós pagaremos a conta de qualquer forma. Parece ser uma contradição, pois a segurança pública já está contemplada pelos serviços essenciais do Estado. Apesar disso, a clandestinidade e a corrupção se tornaram praxe nesse meio.


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