São Paulo: Policiais roubaram carga de R$ 1 mi


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 2 de maio de 2008

Policiais roubaram carga de R$ 1 mi
Ex-mulher de investigador diz que R$ 100 mil foram repassados para secretário-adjunto, que nega acusação
Marcelo Godoy

O desaparecimento de uma carga do jogo eletrônico PlayStation avaliada em R$ 1 milhão de dentro do depósito do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) é o novo alvo dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) de Guarulhos. A suspeita dos promotores é que o investigador Augusto Pena tenha furtado a carga e a revendido em partes para pelo menos dois compradores. Ao Estado, a testemunha-chave do Gaerco, Regina Célia Lemes de Carvalho, ex-mulher de Pena, disse que ele repassou R$ 100 mil do dinheiro obtido com a carga ao secretário-adjunto da segurança, Lauro Malheiros Neto.

“Isso não procede. São palavras. Eu posso dizer que sou cabeludo, por exemplo”, ironizou o secretário-adjunto ao Estado, referindo-se à sua calvície. A carga sumiu do depósito do Deic em abril de 2007. Ela havia sido apreendida pelos policiais da Delegacia de Estelionato do Deic, na época comandados pelo delegado Fábio Pinheiro Lopes. Tratava-se de uma investigação que envolvia Marcos Antônio Tobal e pelo menos cinco de seus familiares, conforme mostra o ofício 1.009/07, feito em 30 de março de 2007.
O Deic havia recebido a incumbência de ir atrás de informações levantadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) durante a Operação Têmis, que investigou esquema de venda de liminares para bingos em São Paulo. Segundo Regina Célia, Pena subornou um funcionário do depósito de mercadorias apreendidas do Deic, na Avenida São João, centro de São Paulo.
Assim, ele teria retirado a mercadoria de madrugada, fazendo diversas viagens com duas picapes. Parte da carga teria sido levada para o apartamento de Regina, em Moema.
A testemunha afirmou que presenciou a negociação da carga e disse que, após a sua venda, os parceiros de Pena no Deic ficaram furiosos. É que era o nome deles que aparecia no auto de apreensão. Um dos parceiros, o investigador Douglas Pereira dos Santos, “chegou a ameaçar Pena, já que estava sendo acusado por algo que não havia feito”. “Augusto Pena aparentava estar muito nervoso com essa situação”, afirmou Regina em depoimento. Santos morreu no dia 13 de setembro. Oficialmente, cinco homens tentaram assaltar um bingo no Itaim-Bibi e o mataram a tiros,
Regina é ex-mulher do investigador e briga com ele pela guarda do filho. É ainda acusada pelo ex-marido de ser desequilibrada e doente. Foi ela quem procurou o Gaerco com 200 CDs repletos de escutas telefônicas que, segundo os promotores confirmaram, eram usadas por Pena para extorquir dinheiro da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Antes de ir para o Deic, Pena estava afastado porque era suspeito de seqüestrar Rodrigo Olivatto de Morais, de 28 anos, enteado de Marco Camacho, o Marcola. Na época, Pena trabalhava na Delegacia de Suzano. Mas, em 11 de janeiro de 2007, ele foi transferido para o Deic. Segundo o delegado Nelson Silveira Guimarães, ex-superior de Pena, o secretário-adjunto foi quem lhe telefonou pedindo que Pena fosse para o Deic.

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