Segue a horrenda rotina dos assaltos


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 7 de novembro de 2008

07 de novembro de 2008 N° 15782 – Jornal Zero Hora

PÂNICO EM FARROUPILHA

Quadrilha toma cidade de assalto

Grupo usou moradores como escudo para atacar dois bancos simultaneamente

O dinheiro que levou muitos correntistas aos bancos ontem pela manhã, dia de pagamento, também foi o chamariz para um violento assalto no centro de Farroupilha. Uma quadrilha de 10 a 12 homens usando fuzis, submetralhadora e outros armamentos paralisou o município de 63 mil habitantes na Serra para assaltar as agências do Banco do Brasil (BB) e do Banrisul, ambas na Rua Coronel Pena de Moraes.

Sem se importar com uma eventual chegada da polícia, o grupo manteve reféns na calçada em frente aos bancos enquanto arrecadava dinheiro no interior das agências. Houve troca de tiros com seguranças de um carro-forte que recém deixara malotes em um dos bancos.

Em gráfico, saiba como foi o assalto

Depois de cerca de 20 minutos, o bando fugiu levando dinheiro e pelo menos 10 reféns em uma van, após usá-los como escudo. Outros assaltos do mesmo tipo já foram registrados no Estado, mas é a primeira vez que ele acontece em uma cidade de médio porte.

O carro usado no ataque foi abandonado ao meio-dia na localidade de Linha Forromeco, interior de Carlos Barbosa, limite com São Vendelino. Os reféns foram soltos e passam bem. O único ferido na ação foi o sargento aposentado Orácio Antunes da Silva Sobrinho, 59 anos, baleado no braço e na perna.

O assalto se iniciou às 9h e durou mais de 20 minutos. Nesse intervalo, dezenas de tiros foram efetuados, aterrorizando pedestres, moradores e pessoas que trabalham no comércio. Lojas foram fechadas, ruas ficaram desertas e o medo se espalhou pela cidade.

A poucos metros dos assaltos, cerca de 400 crianças visitavam os estandes da Feira do Livro e se preparavam para assistir a uma peça de teatro. Os primeiros tiros chamaram a atenção de todos. Quando um homem passou correndo e avisou que era um assalto, todos se atiraram no chão para se proteger. Abaixadas, crianças, professores e demais pessoas que estavam nas tendas seguiram para um prédio vizinho em busca de proteção. A notícia correu a cidade.

– Algumas pessoas começaram a ligar para parentes, apavoradas, alertando para não virem para o Centro por causa do assalto. Pedi que o pessoal se acalmasse e rezamos juntos pedindo que as pessoas que estivessem nos bancos não se ferissem – lembra o teólogo e livreiro Edgar Salve, 38 anos, que ministrava uma palestra sobre como não sofrer antecipadamente.

O advogado Raul Herpich, 58 anos, foi um dos primeiros a perceber a ação. Ele estava entrando no Banrisul quando um dos bandidos chegou. Um tiro pôs abaixo o vidro e um grupo de pelo menos cinco homens entrou, mandando os clientes ficarem quietos e deitarem no chão com as mãos na cabeça. Ele acredita que havia cerca de 50 clientes na agência.

– Fiquei impressionado com a calma deles. Sabiam exatamente o que fazer – recorda.

O barulho de tiros chamou a atenção do sargento aposentado da Brigada Militar de Farroupilha Orácio Antunes da Silva Sobrinho, 59 anos. Ele trabalhava no Colégio Estadual Farroupilha, a três quadras dali, e correu para ver o que acontecia. Ao chegar, foi atingido por dois tiros, no braço e na perna. Levado ao Hospital São Carlos, ele passou por cirurgia e ficou em recuperação.

Depois de pegarem os malotes com dinheiro, segundo Herpich, os bandidos mandaram todos os clientes levantarem e saírem da agência, formando uma espécie de escudo humano. Foi usando os reféns como proteção que os assaltantes seguiram até o Banco do Brasil, onde outra parte do grupo agia.

Após terem recolhido o dinheiro dos bancos, os bandidos juntaram bancários, clientes e pessoas em lojas próximas para servirem de escudo. Cerca de 10 reféns foram colocados na van verde escura, que teria sido furtada em Caxias do Sul, e seguiram com os bandidos em direção ao bairro 1º de Maio, onde teve início um novo tiroteio, desta vez com a polícia.

Dois carros foram usados pelos bandidos para fugir. As estradas da região foram fechadas, e um helicóptero voou de Porto Alegre para auxiliar nas buscas. Até o final da tarde, ninguém havia sido capturado, nem o dinheiro dos bancos, cujo valor não foi revelado, recuperado.

eliane.debrum@pioneiro.com – guilherme.pulita@pioneiro.com

ELIANE BRUM E GUILHERME A.Z PULITA Farroupilha


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