SEGURANÇA TRAIÇOEIRA : Quadrilha assaltava idosos em bancos


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 24 de dezembro de 2009

SEGURANÇA TRAIÇOEIRA
Quadrilha assaltava idosos em bancos
Operação Caravaggio da Polícia Civil prende 12 pessoas suspeitas de atacar na saída de agências e de praticar outros crimes

– Presta atenção. Um velhinho vai sair agora com quatro pilas. Ele tá de camiseta laranja.

Repassado por telefone a um suposto assaltante, o aviso de que um idoso deixaria o banco com R$ 4 mil na carteira partiu do vigilante de uma agência bancária de Canoas. Ele foi preso nesta quarta-feira, durante uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), com outros 11 suspeitos de participação em uma quadrilha especializada em ataques do tipo na Região Metropolitana.

A frase, que indignou os policiais envolvidos na operação, faz parte de um conjunto de gravações obtidas pelo titular da Delegacia de Roubos, Juliano Ferreira, com autorização da Justiça. Os diálogos também indicam que o bando estaria vinculado a roubos de cargas e, em pelo menos duas ocasiões, a sequestros-relâmpago que tiveram empresários como vítimas.

A partir dos áudios e de uma investigação minuciosa de um ano e três meses, um contingente de 189 agentes ganhou as ruas de quatro cidades da Região Metropolitana às 6h de quarta-feira, munidos de 12 mandados de prisão temporária e 35 de busca e apreensão. Com sirenes acionadas e armas em punho, os policiais esquadrinharam Cachoeirinha, Gravataí, Canoas e a Capital. Além dos 12 suspeitos presos, apreenderam quatro pistolas, dezenas de miguelitos – pregos retorcidos usados em fugas para dificultar a ação da polícia –, dois coletes à prova de balas, R$ 20 mil em dinheiro, crack e cocaína.

– Sabemos que a quadrilha fez mais de 30 vítimas. Ao tirar de circulação os principais integrantes, certamente teremos uma queda significativa nesse tipo de roubo – afirmou o diretor do Deic, Ranolfo Vieira Junior.

Batizada de Caravaggio 2, a operação deu continuidade a uma ação iniciada em setembro do ano passado, que já havia prendido 25 pessoas. Entre a nova leva de presos, estão dois suspeitos de participação nos ataques a três bancos de Boqueirão do Leão, em setembro, e o segurança de uma agência do Bradesco em Canoas, que seria olheiro do grupo. Os três foram flagrados em escutas. No caso dos dois primeiros, falando de uma submetralhadora que seria usada, em março, contra PMs de Canoas e, seis meses depois, no arrastão de Boqueirão. No caso do vigilante, apontando possíveis vítimas.

Além de contar com informações privilegiadas do segurança, os criminosos tinham a ajuda de duas mulheres que se faziam passar por clientes para detectar presas nas agências. Em geral, eram idosos desacompanhados, em dia de pagamento, incapazes de oferecer qualquer resistência.

– Os criminosos agiam de forma bastante organizada e sempre contavam com pessoas de confiança, que se infiltravam e facilitavam os delitos – revelou Ferreira.

Foi dessa forma, segundo o delegado, que o bando chegou a dois empresários de Porto Alegre. Um deles foi rendido em junho, quando saía de sua empresa, no distrito industrial de Cachoeirinha, e levado para casa, na Vila Jardim. Depois de fazerem sua família e dois vigias reféns, os bandidos fugiram com cerca de R$ 80 mil.

Passado um mês, outro empresário foi submetido ao mesmo sofrimento, no bairro Jardim Planalto. Em ambos os episódios, as investigações demonstraram que a quadrilha tinha o apoio de funcionários das vítimas. Um ainda está sendo rastreado e outro foi preso nesta quarta-feira.

Temporárias, as prisões têm prazo de cinco dias, mas o delegado já solicitou a prorrogação. Conforme Ferreira, não está descartado o pedido de prisão preventiva dos envolvidos, que teriam movimentado mais de R$ 500 mil em roubos nos últimos 15 meses.

juliana.bublitz@zerohora.com.br

JULIANA BUBLITZ

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