Uma cidade visitada pelo terror


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 8 de julho de 2007

Violência
Uma cidade visitada pelo terror
NÁDIA DE TONI*/ Bom Jesus
Ao ficar no fogo cruzado entre bandidos e policiais, o vice-prefeito de Bom Jesus, Leonardo Baroni Silveira (PDT), 36 anos, foi morto durante assalto à agência do Banrisul do município, às 11h45min de ontem.
Além do político e bancário, conhecido como Tio Léo, uma sargento da Brigada Militar (BM) ficou ferida na cabeça. O assalto levou pânico à cidade de cerca de 11 mil habitantes nos Campos de Cima da Serra.
Empunhando fuzis e espingardas, nove bandidos se dividiram nas tarefas de roubar dinheiro do banco e formar um cordão de isolamento com reféns do lado de fora para impedir a ação policial. Clientes, funcionários e moradores foram feitos reféns. Naquele momento, 60 pessoas participavam de uma audiência na Câmara de Vereadores, a três quadras dali, para tratar da insegurança.
Com a aproximação de uma viatura da BM, os assaltantes dispararam, ferindo a sargento Simone Catarine, 35 anos. O vice-prefeito, que se deslocava de carro até a casa de sua mãe, a poucos metros da agência, foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça e teve morte instantânea.
A quadrilha permaneceu no centro de Bom Jesus por quase meia hora. Encapuzados, os bandidos estavam em uma caminhonete Sprinter prata. Três homens entraram na agência, renderam a vigilante e a desarmaram. A pontapés, quebraram a porta giratória e chegaram aos caixas.
Ao avistar os assaltantes, entre 10 e 15 pessoas se esconderam nos banheiros e sob escadas e mesas, mas foram obrigadas a sair. Ficaram na agência um gerente, um caixa e a vigilante, além dos três criminosos.
– Eles pareciam calmos, conversaram, beberam água. Com uma arma apontada para a minha cabeça, exigiram que entregássemos todo o dinheiro – conta a vigilante de 31 anos, que preferiu não se identificar.
Os policiais que estavam no encontro sobre segurança foram ao local. O delegado regional de Vacaria, João Estevam Mazine da Silva, por pouco não foi baleado. Dois tiros de fuzis quebraram o pára-brisa e o vidro traseiro do Corsa da Polícia Civil no qual ele estava.
– Não podíamos atirar porque, quando eles estavam disparando, os reféns eram obrigados a se deitar. Quando paravam, as pessoas, de pé, faziam um cordão de proteção. Poderíamos atingir alguém – explica o delegado.
– Nem conseguimos olhar direito para eles – diz o sargento Ademir Matos de Moraes, comandante da BM de Bom Jesus, motorista do primeiro veículo atingido por tiros disparados pelos criminosos.
Para se proteger, os policiais se esconderam atrás dos carros. No momento dos tiros, o vice-prefeito se deslocava do Banco do Brasil (BB), onde trabalha como caixa, até a casa da mãe, na Rua Major Antônio Inácio Velho, perto do Banrisul.
No Corsa que dirigia, trazia uma vianda com comida. Conforme o comandante da BM, Tio Léo teria sido informado do assalto por pessoas que se protegiam dos tiros. Ele acelerou, mas foi atingido na testa por um tiro de fuzil. O Corsa parou no canteiro central.
A quadrilha saiu em fuga levando seis pessoas como reféns, entre clientes do banco e uma vigia, todos dentro da Sprinter. Os reféns, que nada sofreram, foram deixados na saída da cidade, em frente à empresa Café Bom Jesus, na RS-110.
– Foi um horror, tiro para tudo que era lado. Ainda estou tremendo – contou a secretária Fátima Boeira Moraes, que trabalha em frente ao banco.
Os ladrões seguiram em direção a Jaquirana, a 32 quilômetros.
– Não tínhamos como fazer uma perseguição, pois o asfalto ficou repleto de miguelitos (pregos retorcidos que furam os pneus dos carros) – justificou o sargento Moraes.
Além de cem policiais, uma aeronave foi utilizada nas buscas. Havia barreiras em estradas, vistorias eram feitas em hotéis e rodoviárias. Até a noite de ontem, a única possível pista deixada pelos bandidos foi uma S-10, abandonada no meio de um matagal de Jaquirana.
O secretário-adjunto de Segurança Pública, Ademar Stocker, disse que a BM analisará se a cidade precisa um reforço imediato no policiamento. Onze PMs trabalham em Bom Jesus. Stocker disse que o crime foi um fato atípico e que a cidade não apresenta altos índices de criminalidade. Segundo ele, nos últimos meses foram registrados casos de arrombamento, lesão corporal e um homicídio.* Colaborou João Machado
Números
O Estado teve 54 assaltos a banco no primeiro semestre do ano

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