Vigilância Clandestina


por Emir Pinho - Consultor de Seguranca - 51 9967 3306 - ID 9214136 em old / 4 de março de 2008

Patrimônio – Vigilância Clandestina
02/03/08
Foragido atuava como vigia –
Polícia prende segurança clandestino em rua paralela à do coronel que comanda a PM e descobre ficha com 12 mandados de prisão contra ele. Central de gatonet foi estourada.
Rio – A polícia começou a combater o grupo criminoso que agia a poucos metros da casa do comandante-geral da PM, coronel Gilson Pitta Lopes. Como revelou ontem O DIA, a rua onde mora o comandante, na Zona Norte do Rio, faz parte de uma região onde um bando vinha cobrando ilegalmente, desde 2006, uma taxa de segurança dos moradores. A quadrilha ainda explora uma rede de TV a cabo clandestina (ou gatonet), que não funcionou ontem.
Após a denúncia de O DIA, a 23ª DP (Méier) determinou a abertura de sindicância para investigar o caso. Policiais do 3º BPM (Méier) prenderam acusado de integrar o bando e uma central de gatonet foi estourada pela PM e Polícia Civil.
Detido por PMs numa rua paralela à via onde mora Pitta, o suspeito foi levado para a 23ª DP (Méier). Inicialmente, ele forneceu um nome falso ao delegado Paulo César Guimarães. No interrogatório, o policial descobriu que se tratava de Denilson Nogueira Melo, de 39 anos, contra quem há 12 mandados de prisão. Ele responde a crimes de morte e assalto no Rio de Janeiro, Duque de Caxias e Petrópolis. Denilson foi condenado a mais de 20 anos de prisão e estava em liberdade condicional desde o fim do ano passado.
À polícia, Denilson alegou que não estava conseguindo emprego. Um irmão dele, que é mecânico, teria dito que havia vaga para atuar como ‘segurança’ nas ruas do bairro. “Eu me apresentei a um homem chamado Edevaldo e comecei a trabalhar há 12 dias, das 8h às 21h. Ganhava R$ 400”, relatou ele. Denilson garantiu que não andava armado e tinha apenas um aparelho de radiocomunicação, que deveria ser usado para acionar o 190 quando houvesse uma ocorrência.
POLICIAIS CIRCULANDO
O delegado Luiz Archimedes, titular da 23ª DP, determinou a abertura de uma sindicância para investigar a cobrança por segurança ilegal e a existência de gatonet na região. Ontem, uma viatura da 23ª DP percorreu as ruas da área para tentar identificar os ‘seguranças’. Patrulhas do 3º BPM também circularam o dia todo pela região. O Secretário Nacional de Segurança Pública (Senasp), Antonio Carlos Biscaia, lamentou o fato e declarou ter certeza de que o comandante da PM vai tomar as providências necessárias.
Como mostrou a reportagem de O DIA, o grupo pedia, em nome da associação de moradores do bairro, R$ 20 por mês em troca de segurança privada. Pela gatonet, é cobrada mensalidade de R$ 30. Os integrantes do bando são homens que circulavam durante todo o dia, até as 22h, pela rua de Pitta e outras 10 vias da região, a pé ou de carro. Eles usavam camisetas pretas com a inscrição Paz – alguns seguravam radiotransmissores e outros, porretes.
‘Seguranças’ saem e gatonet é desligada
A equipe de O DIA voltou ontem ao local no qual, na semana passada, foram flagrados homens que fazem a segurança clandestina na rua onde mora o comandante-geral da PM, Gilson Pitta. Os ‘seguranças’ não estavam mais nas ruas do bairro, mas um homem de roupa preta, em uma motocicleta (placa LCI 2715), foi visto circulando pela região. Ele chegou a seguir o carro da reportagem. A central clandestina de TV a cabo foi desligada sem qualquer aviso aos assinantes.
O clima era de tensão entre os moradores, que preferiram não se pronunciar sobre o caso. Uma padaria próxima à casa do comandante, que é cercada por grades para evitar assaltos, não abriu. O prédio onde fica a associação dos moradores também não funcionou. As portas estavam trancadas a cadeado e um aviso informava que, devido à morte de um morador, não haveria expediente, pois os funcionários estariam no enterro.
Equipamentos apreendidos
Denúncia anônima levou policiais do 3º BPM (Méier) e da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) a estourar, às 15h de ontem, uma central clandestina de TV a cabo na Rua Vaz Caminha 514, Cachambi. Os policiais suspeitam que a central faça parte do sistema de gatonet encontrado na rua da Zona Norte em que mora o comandante-geral da PM.
Ninguém foi preso. No local, havia 13 decodificadores, 18 amplificadores, rolo de fio, antena de TV a cabo e nove videocassetes. Segundo a polícia, a central funcionava numa casa abandonada e atendia, além dos moradores do Cachambi, os de Maria da Graça e Del Castilho.
O delegado titular da DDSD, Eduardo Freitas, disse que denúncias sobre o gatonet começaram a chegar para a polícia depois que O DIA noticiou ontem que milicianos ofereciam esses serviços aos moradores da região. Ele abriu inquérito para apurar o fato e saber quem é o responsável pela central. Freitas pede que quem tiver informações sobre gatonet passe os dados para a delegacia (no telefone 2590-9246).
Ontem, O DIA revelou o sistema de cobrança e a emissão de recibos para assinantes do esquema clandestino. O grupo usa até teleatendimento que informa aos interessados que não há risco de problemas com a polícia.
BELTRAME AFIRMA QUE GRUPO SERÁ EXTERMINADO
O secretário Estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou ontem que ainda será realizada investigação para exterminar a ação de segurança clandestina na rua do comandante da PM. “Se nenhuma ação foi feita naquele local até agora, não é simplesmente pelo desleixo de não se fazer. Não podemos agir de maneira exacerbada. O ilícito não existe apenas pela denúncia. Procuramos qualidade nas investigações para, quando ocorra uma prisão, a pessoa continue detida depois.”
Segundo ele, pelo menos 115 localidades estão sendo investigadas pela polícia por suspeita de envolvimento com milícias no Estado do Rio. A maioria, de acordo com os inquéritos, estaria nas zonas Norte e Oeste da capital. O número foi divulgado por Beltrame na palestra ‘Políticas Públicas sobre Drogas’, no Hotel Sofitel, em Copacabana. O secretário defendeu os resultados apresentados até agora.”
A dificuldade está em formar um corpo de provas e mostrar isso ao Judiciário, para que corroborem nossa ação. É um trabalho que demanda tempo. Na Zona Oeste, por exemplo, demoramos oito meses quando combatemos a milícia mais bem articulada do Rio”, afirmou, em referência à operação para desarticular o grupo chefiado pelo vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho.
Na exposição – feita a representantes de diversas Secretarias de Segurança do País -, Beltrame admitiu que ainda tem poucas informações sobre atividades de milicianos, mas garantiu que todos os setores de inteligência estão mobilizados com esse objetivo: “Estas pessoas são criminosas em dobro. Usam a capacitação e o salário que o estado dá e ainda participam de atividades ilegais”.
Fonte: O Dia On-line

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